CAUSOS DO VAREJO
Eu trabalhava em uma loja de calçados em São José dos Campos e meu gerente tinha me promovido para as vendas. Eu tinha 17 anos e éramos 5 vendedores. Todos os dias, um senhor sentava-se em uma mureta no meio do calçadão e fingia pescar, não com a vara de pescar, somente com seu chapéu e gestos. Ele ficava horas e horas fingindo pescar.
Um belo dia, esse senhor entra na loja para comprar e estávamos quatro vendedores no ponto de matada (naquela época sistema de matada). Logo, os três vendedores fugiram para o fundo da loja e me falaram: seu cliente preferencial!
Fiquei um pouco preocupado com as piadas que iriam rolar, mas ao mesmo tempo fiz o meu papel de vendedor. Atendi o cliente – o Sr. Geraldo – e ele foi à vitrine, onde estavam expostas as botas. “Filho, quanto custa essa bota?”, ele perguntou. Eu disse o preço da bota, que na época custava em média dois salários mínimos. Enquanto ele experimentava a peça, os vendedores choravam de dar risadas. Em seguida, o Sr. Geraldo me disse que queria outra cor e eu peguei. Nisso, as risadas aumentavam, mas eu mantive o controle, tratando o Sr. Geraldo como cliente e prestando-lhe toda atenção.
O Sr. Geraldo experimentou as duas botas e disse: “Filho, eu vou levar as duas. Por favor, tira da caixa”. Tinha um vendedor que chorava de dar risadas, e eu, com muita calma, peguei as botas, tirei a nota e entreguei ao Sr. Geraldo. Foi um dos momentos mais prazerosos da minha vida de vendedor: o Sr. Geraldo tirou um pacote de dinheiro, entregou para a caixa e pediu para que ela tirasse o valor da bota e mais: me deu uma gorjeta gorda que deu para eu almoçar várias vezes. Ele me agradeceu e disse que era piloto aposentado e bateu a cabeça num acidente.
Nunca subestime o seu cliente e dê a atenção que ele merece. Se você não conseguir fazer isso, pare para refletir.
Causo enviado por Nelson Alexandre Pazetto
-----------------------------------------------------
O causo enviado por Nelson relembra uma das mais importantes lições do varejo: tratar cada cliente como se fosse único e especial, independente de suas atitudes ou aparência. Neste caso, a postura profissional assegurou ao vendedor o reconhecimento e uma gorda recompensa.
Repare que, mesmo com um ambiente desfavorável em sua loja (e ao qual o gerente deve sempre estar atento, pois é um veneno para boas vendas), Nelson atendeu aos pedidos de Geraldo e sempre esteve atento para suas necessidades - independente da postura do cliente fora da loja.
Por isso, evite julgamentos prévios sobre potenciais clientes. Ter uma postura preconceituosa pode fazer com que você perca valiosas oportunidades de vendas. Fique atento!