• Agosto de 2018
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Empresa do varejo carioca investe e capacita pessoas com deficiência

Apesar dos avanços com a criação da lei de cotas para pessoas com deficiência nas organizações, o mercado de trabalho para esse público continua distante e desafiador. Segundo dados da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) Nacional, atualmente 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência somente para cumprir a lei de cotas exigida pelo Governo, e apenas 4% declararam contratar esse público por acreditar no potencial dessas pessoas. O estudo foi realizado com mais de 2.900 profissionais do setor e mostrou o desafio que esse assunto ainda gera nas organizações.

Uma das empresas que foge dessa regra e vem apresentando resultados expressivos com é o Mundial, tradicional rede de supermercados carioca, com 74 anos de atuação no mercado. Pioneiro na contratação de PcD’s no Rio de Janeiro, o Mundial iniciou a experiência com pessoas com deficiência intelectual antes mesmo da existência da cota. A empresa já tinha em seu DNA a responsabilidade social e enxergava a inclusão de deficientes como uma oportunidade de trazer diversidade à organização.

Após um processo de sensibilização e adaptação da diretoria e toda a equipe, o trabalho cresceu de tal maneira, que o cumprimento da cota logo deixou de ser problema. Esse ano o projeto Somos Todos Iguais completou 15 anos. Atualmente, a rede conta com mais 400 PcD’s em seu quadro que trabalham em diferentes setores da empresa. Muitos estão na organização há 10, 20 anos.

Referência no setor, o Mundial passou a ser visto como um exemplo de sucesso para outras empresas. A coordenadora de responsabilidade social e responsável pela implementação do projeto na rede, Laura Negro de La Pisa, comenta que já foi convidada para dar palestras sobre inclusão social em mais de 50 organizações. Entre elas estão: Michelan, Rede Dor, Fecomercio, SuperVia, Caçula, Escola de Administração Getúlio Vargas, entre outras.

“Em todas as empresas as quais já tive a oportunidade de compartilhar a experiência do Mundial, sempre digo que o primeiro passo para que a inclusão social dê certo é a empresa querer e estar preparada para as adaptações e mudanças. A questão da inclusão de deficientes no mercado de trabalho é um desafio que pode ser visto pelas organizações como uma crise ou como uma oportunidade incrível”, comenta Laura Negro.

A profissional ressalta que um dos grandes diferenciais do Mundial é que a empresa contrata, desde o início, pessoas com deficiência não para estar dentro da “lei de cotas”, mas porque acredita no potencial que elas têm. “A rede investe nesses profissionais não pela deficiência que têm, mas porque eles são tão capazes de exercer a função quanto qualquer outra pessoa sem deficiência. Elas ajudam a melhorar o ambiente de trabalho e trazer histórias de superação”, diz. Hoje, os PcD’s procuram espontaneamente a rede, boa parte por indicação de quem já trabalha lá.

A empresa tem PcD’s em todos os setores como médico do trabalho, gerente, coordenador, RH e jurídico. Além disso, antes de tudo, a rede prepara essas pessoas para exercerem as funções. Por exemplo, se o candidato for analfabeto, o Mundial alfabetiza, treina e integra essas pessoas no trabalho e na sociedade. “No Mundial damos treinamentos de Libras, não só para os PcD’s como, também, para os demais funcionários para que todos possam se comunicar. Também adotamos o sistema de “madrinhas”, que são profissionais qualificadas para ajudar na melhor adaptação e integração dos PcD’s. Essa acessibilidade comunicativa ajuda muito na retenção dos funcionários. Temos uma taxa muito baixa de rotatividade, as pessoas com deficiência gostam de trabalhar no Mundial e, às vezes, até aqueles que saem acabam querendo voltar”, comenta Laura.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% da população mundial possui algum tipo de deficiência. Cerca de 80% delas estão em idade de trabalho. No Brasil, o número é muito significativo, existem cerca de 25 milhões de pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Os dados evidenciam que não estamos falando de uma minoria e sim de uma maioria que merece ter acesso a todos os seus direitos.

Queremos colocar a profissional Laura Negro à disposição para entrevista, bem como auxiliar com os personagens.

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