• Setembro de 2018
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Vamos falar sobre economia compartilhada?

Há alguns anos a economia compartilhada, ou consumo colaborativo, tem mudado o mercado e se consolidado em todo o mundo. O consumismo exacerbado começa a dar lugar a políticas sustentáveis pautadas pela preocupação ambiental, recessão global, tecnologia e redefinição do conceito de comunidade.

Segundo o relatório desenvolvido esse ano pela Mastercard, o novo modelo econômico até 2022 será responsável pelo surgimento de centenas de novas empresas e se estima a geração de uma receita anual de US$3,5 bilhões para os usuários, número que deve crescer 25% ao ano.

Mas afinal, o que é economia compartilhada e o que você sabe sobre o assunto? A grosso modo é uma maneira de dividir o uso ou a compra de serviços. Já temos ao nosso alcance empresas que atuam nesse segmento. Airbnb, Uber, Netflix e Spotify são algumas delas e que frequentemente utilizamos ou ouvimos experiências de familiares e amigos.

Reduzir, reusar, reciclar, reparar e redistribuir são os princípios que permeiam esse modelo de mercado. E impulsionada pela geração Millennials, nascidos entre 1980 e 1990, que preferem experimentar ao invés de consumir, a economia colaborativa tem mostrado que veio mesmo para ficar.

Além disso, outro dado relevante divulgado pela Mastercard indica que nos próximos oito anos o setor de financiamento compartilhado ou empréstimo deverá crescer aproximadamente 63% ao ano. Seguido das plataformas de contratação para trabalhos temporários ou freelancer, com uma média de 37%; serviços como Airbnb aumentarão em até 31%, enquanto o setor hoteleiro crescerá 4% anualmente. No quesito entretenimento, especificamente o streaming de música e vídeo apresentará, um crescimento de 17%.

É claro que há percalços no meio do caminho, como a falta de conhecimento por parte dos empreendedores e a desconfiança dos usuários. Mas as mudanças estão acontecendo. Novas empresas que atuam, por exemplo, no segmento de alimentação, bem-estar e moda, já se apresentam ao mercado por meio desse modelo de negócio. A pergunta que fica é, essa disrupção extinguirá o modelo tradicional? Não necessariamente! É possível que o tradicional e o compartilhado caminhem igualmente juntos, um completando o outro.

A onda que foi encabeçada pelas startups vem se disseminando por grandes empresas. Mas é importante estar atento que ao adotá-la, a preocupação está em oferecer soluções para problemas específicos e não mais em apenas vender. O empreendedor precisa ter consciência que está operando um negócio sustentável e é necessário que esse discurso esteja aplicado nos conceitos e ética da empresa.

Digo isso por experiência própria. Na jobin. queremos ser uma comunidade de desenvolvimento e colaboração, quero incentivar que os clientes doem seus tênis usados e em troca ganhem desconto para futuras compras, além de participarem no desenvolvimento de novas coleções. Mas não se trata apenas de colocá-los em prática, é necessário planejamento e principalmente, que toda a cadeia que envolve a marca esteja alinhada com os nossos propósitos.

O entendimento de oferta e demanda, assim como a relação com os bens materiais e pessoais, estão mudando e impulsionando a criação de novas formas de economia que estão focadas em recuperar a economia local e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

Enxergar e aproveitar as oportunidades que esse modelo nos oferece, auxilia a passar por crises econômicas que a todo momento tem colocado em jogo a maneira como compreendemos os mercados como um todo.

Por Charles Simão é fundador da jobin., marca mineira especializada em modelos exclusivos de tênis sem cadarço do tipo slip on (também conhecido como iate). Com histórico empreendedor foi responsável pela fundação das marcas Print4me e Fofostore.


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