• Outubro de 2017
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Atacarejo e lojas de proximidade: as novas tendências do varejo brasileiro

Por Marcelo Murin

Semana passada o Grupo Carrefour inaugurou sua primeira loja da bandeira Supeco no Brasil. De origem espanhola, a marca atua no ambiente de atacarejo, com foco nos pequenos varejistas e consumidores finais. A loja foi inaugurada na cidade de Sorocaba (SP), e completa a estratégia da companhia de atuar em todos os ambientes de varejo existentes no país, com um formato mais compacto e com os mesmos diferenciais de preços e sortimento que o Atacadão, líder do segmento e também pertencente ao mesmo Grupo.

Esta é uma demonstração clara da mudança do comportamento do shopper no Brasil, o que também fica reforçado pela inauguração em agosto, de mais uma bandeira do Grupo Carrefour, a primeira loja Carrefour Express, com o conceito de loja de vizinhança, sortimento e quantidades reduzidas.

Sabe-se há algum tempo, que o formato hipermercado vem perdendo relevância na escolha do shopper como local preferido para realizar suas compras, e em decorrência disto, os grandes grupos varejistas que atuam no país, tanto nacionais quanto multinacionais, estão investindo na abertura de novos formatos.

Com a estabilidade econômica que o Plano Real trouxe ao Brasil nos últimos 20 anos, o shopper mudou seu comportamento de compra, deixando de realizar grandes compras mensais de abastecimento nas lojas de hipermercado. Com isso, este ambiente de varejo começou a perder sua identidade, com um vasto sortimento disponível, localizações distantes e de difícil acesso a quem não tem carro, normalmente.

Além disso, com a piora da locomoção das pessoas nas grandes cidades, com trânsito cada vez mais caótico, o shopper diminuiu muito suas idas aos hipermercados, que passaram a agregar serviços dentro de suas lojas, para tentar segurar esses clientes que estavam evadindo para outros ambientes de varejo.

De certa forma, este movimento de agregar serviços, e também trabalhar fortemente ações promocionais, permitiu que os hipermercados e supermercados, conseguissem segurar em parte sua queda. No entanto, em paralelo, temos visto o grande crescimento de dois ambientes de varejo cada vez mais representativos e relevantes para o shopper brasileiro: o atacarejo e as lojas de proximidade.

O atacarejo por sua vez, apesar de em termos de localização das lojas ser muito semelhante ao hipermercado, apresenta um loja de característica muito “espartana”, com sortimento menor, grandes volumes e grandes quantidades de produtos, o que dá uma percepção de baixo preço ao shopper. Com a estrutura proposta, seu custo operacional é reduzido e com isso consegue-se trabalhar com preços mais atrativos de fato.

Já as lojas de vizinhança ou proximidade, oferecem mais conveniência ao shopper. Estão localizadas perto de suas residências, onde muitas vezes o consumidor pode se deslocar caminhando. O sortimento trabalhado é bem reduzido e traz itens de valor agregado maior, pois a percepção de preço do shopper é diferenciada, já que ele sabe que está pagando pela conveniência nestes casos.

Com estas evidências, fica muito claro que o comportamento do shopper brasileiro, vem alterando a forma do varejo atuar no mercado, e com isso diferenciando e agregando as alternativas de compra. Como consumidor e shopper acho excelente ter muitas opções de compras para comparar. Como homem de negócios, ficaria muito atento as estes movimentos para aproveitar todas as oportunidades de mudança que o mercado tem apresentado. Fica a dica.

Marcelo Murin é administrador de empresas com especialização em marketing e sócio-fundador da Officina di Trade.

Fonte: Portal SEGS