• Novembro de 2017
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Concorrência desleal preocupa setor da moda nacional

A concorrência desleal de produtos importados de países que exploram a mão de obra de baixa remuneração é uma das preocupações do setor brasileiro de moda, disse hoje (9) Hildegard Angel, coordenadora do Comitê Zuzu Angel de Moda do Conselho Empresarial de Cultura da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Ela abriu o seminário promovido pela ACRJ para debater os problemas enfrentados pela cadeia produtiva da moda nacional, cujo faturamento atingiu R$ 140 bilhões em 2012 e colocou o Brasil na oitiva posição do ranking mundial.

Hildegard abordou o papel da moda como impulsionador do desenvolvimento econômico do país, com destaque para as exportações de moda do estado do Rio de Janeiro. Ela sugeriu o estabelecimento de políticas que defendam a mão de obra e a indústria nacional e que “privilegiem o setor produtivo e não só o setor financeiro”. Para a coordenadora, a política que salva a produção nacional é a dos juros mais baixos. “Uma maneira que nós temos de manter a nossa indústria bem é uma política que privilegia com juros baixos o setor produtivo”, disse, em entrevista à Agência Brasil. Além disso, sugeriu que o governo deve estar atento a políticas que estabeleçam o livre comércio com terceiros países, sem pagar impostos, “pois tudo isso derruba a indústria brasileira”.

As exportações de moda do estado do Rio de Janeiro bateram um recorde histórico no ano passado atingindo 15% de participação nas vendas externas totais brasileiras de setor, mostrando também um preço médio elevado de exportação. Nos últimos cinco anos findos em 2013, a especialista em comércio exterior do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Cláudia Teixeira, disse à Agência Brasil que o valor médio de exportação de moda fluminense alcançou US$ 73 o quilo, o que representa o preço médio mais elevado entre os principais exportadores do Brasil.

No mesmo período, o preço médio em São Paulo e Santa Catarina foi, respectivamente, US$ 50 e US$ 33 o quilo. No Brasil, o valor médio alcançou US$ 43 o quilo. “Isso demonstra que a moda do Rio de Janeiro é diferenciada e exporta para países que são referências mundiais de moda e têm altos padrões de exigência, como os Estados Unidos, a França, Itália, que são destinos importantes da moda do estado do Rio. Esses países passaram, nos últimos anos, a comprar um produto de muito maior valor agregado, disse Cláudia.

O preço médio da confecção vendida para a França, por exemplo, subiu de US$ 51 o quilo, em 2009, para US$ 86 o quilo, no ano passado. “Foram 67% de valorização”. Para os Estados Unidos, o crescimento foi ainda maior. Passou de US$ 58 o quilo, em 2009, para US$ 123 o quilo, em 2013. Além disso, o mercado norte-americano constitui atualmente o principal destino da moda fluminense, participando com 31% das exportações gerais do estado.

Cláudia observou que, em 2013, dois países africanos se destacaram entre os maiores compradores da moda do Rio de Janeiro: Angola e Namíbia. Eles apareceram em segundo e terceiro lugares. Para a Namíbia, a venda específica de uniformes elevou as exportações de produtos de confecção para o país em 362%. Já para Angola, embora a exportação mostre um preço médio menor (US$ 15 o quilo), ele é compensado pela quantidade de produto embarcado, em especial moda íntima. “Se você não considerar as exportações para Angola, o preço médio da moda no estado sobe para US$ 103 o quilo”, disse Cláudia Teixeira.

A especialista do CIN ressaltou que, por enquanto, não há indicações de impactos negativos do dólar sobre as exportações fluminenses de moda. “O estado continua registrando aumento da exportação de moda. O Rio tem sido estável nesse sentido, ao longo dos anos, ao contrário das exportações brasileiras”.

Do mesmo modo, informou que não existe temor em relação à concorrência de países como a China, uma vez que os produtos do estado se diferenciam por fatores como criatividade, design e marca, o que torna difícil a competição no mesmo nicho de mercado de produtos de baixo valor agregado. “É difícil para nós ver uma perda de mercado, porque a gente tem aumentado as exportações”. Admitiu, entretanto, que no mercado interno, o setor de confecções e moda enfrenta concorrência de produtos importados de menor valor.

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