• Setembro de 2017
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Retração da economia atinge os shoppings centers

O setor de shopping centers começa a sentir os reflexos da retração da economia, com juros e inflação mais altos e, consequentemente, o encolhimento da demanda. Inaugurações que aconteceriam ainda este ano foram adiadas para o próximo. O clima é de cautela entre os empresários, mas eles afastam a especulação de crise no setor apesar de os cálculos das projeções para o ano terem sido refeitos recentemente. Para este ano estava prevista a inauguração de 43 empreendimentos no país. No entanto, apenas 24 serão abertos até o fim de dezembro, ou 56% do total.

Dentre as 43 unidades previstas, nove já estão em funcionamento – uma delas em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte –, 15 planejam abrir as portas até dezembro, sendo uma em Araxá, no Alto Paranaíba. Outras 19 ficaram para 2015 ou 2016: duas delas em Minas Gerais, nas cidades de Uberlândia e Uberaba. De acordo com especialistas, o varejo teve quatro anos de crescimento elevado, alcançando mais de dois dígitos, e o que acontece agora é uma acomodação em conjunto com a inflação e os juros em alta.

Mesmo com os adiamentos, o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, afirma que não há crise no setor, apenas readequação, uma vez que a área registrou crescimentos expressivos nos anos anteriores. “Isso é natural. Quando você tem uma economia retraindo um pouco, os lojistas encontram dificuldades de abrir novos empreendimentos. O cenário é de cautela, mas não está ruim no todo”, explica. Ainda de acordo com Luís, a expectativa é que a situação econômica melhore e o setor volte a crescer.

Francisco Ferraz, diretor de operações da 5R Shopping Centers, grupo responsável pela construção dos empreendimentos Praça Uberlândia Shopping e Praça Uberaba Shopping Center, que tiveram suas inaugurações adiadas para o primeiro e o segundo semestres de 2015, respectivamente, confirma a retração no setor. Os empreendimentos da 5R foram anunciados em 2011 e tinham a previsão inicial de operar ainda no fim de 2013. Segundo ele, as estratégias do grupo estão mantidas e o adiamento foi necessário para fornecer uma readequação do cronograma dos lojistas. “O efeito da macroeconomia acaba punindo todos os segmentos. Existe uma retração nas vendas, efeito do crédito mais caro e da inflação, e, assim, muitos empresários não conseguem ter fluxo de caixa para preparar as novas lojas”, afirma.

Projetos

Ainda de acordo com Francisco, os dois empreendimentos já estão com mais de 70% da área bruta locável (ABL) contratada. Ele confirma ainda que mantém a parceria com a empresa CGDI para a construção do Praça Barbacena. “Nossos planos estão mantidos sem impactos para esses empreendimentos. Estamos na fase de projeto e ele já foi aprovado pela prefeitura da cidade e, em breve, devemos começar as obras”, completa.

Também na contramão do mercado, o grupo Partage, que reúne oito shoppings no Brasil e administra o Metropolitan Shopping Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, anunciou recentemente que pretende instalar um novo empreendimento em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas. De acordo com o grupo, o terreno está localizado em um vetor importante da cidade e eles apostam num crescimento exponencial da região.

A BRMalls, empresa com participação em 50 shoppings do país, sendo oito deles em Minas, também mantém seus investimentos. De acordo com Ruy Kameyama, diretor-executivo de operações do grupo, mesmo com um cenário desafiador neste ano, a BRMalls mantém projetos de expansão em dois shoppings no estado, o Estação BH e o Independência Shopping, em Juiz de Fora, além da ampliação de outro recém-inaugurado em Uberlândia. No Estação, serão 23 novas lojas, com ampliação do terceiro piso. Já no Independência, o mall vai aumentar 40%, com dois novos pisos e 50 novas lojas. “Ainda que exista esse cenário desafiador, bons ativos continuam gerando oportunidades. Mesmo com juros altos e inflação corroendo a renda, ainda vamos registrar crescimento, e não queda.”

Fonte: EM.com