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Quinta-feira, 25 de Março de 2010
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Fim do IPI deve aquecer as vendas
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Quem ainda não aproveitou os preços baixos da desoneração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) tem que apressar o passo. Vence no fim deste mês o prazo estabelecido pelo governo para que as indústrias de automóveis e da chamada linha marrom produzam carros flex e móveis de madeira com desconto de tributos. Depois disso, o consumidor que ainda quiser pagar menos terá de bater perna em busca de liquidações e feirões ou contar com a sorte de encontrar o produto em estoque.
Tiveram redução de imposto carros com motorização bicombustível e peças de móveis e painéis de madeira. O impacto desses descontos nos cofres públicos somará R$ 1,52 bilhão. Além desses segmentos, também a indústria de motocicletas sente o peso do fim do alívio fiscal. Até 31 de março, motocicletas de até 150 cilindradas têm garantida a redução de IPI, medida que custou ao governo cerca de R$ 54 milhões enquanto esteve em vigor.
Em geral, o benefício serviu para que o consumo não arrefecesse com a crise. Foi o caso da indústria automobilística, que tem uma das maiores cadeias produtivas do Brasil. Qualquer redução nas vendas teria um impacto significativo na economia do país. O ano de 2009 poderia ter sido de perdas para o setor de automóveis não fosse o estímulo fiscal dado pelo governo. “Em 2008, quase fechamos o ano com 100 mil veículos emplacados em Brasília. Ficou no quase por causa dos últimos meses do ano, que foram bastante ruins. Em 2009, porém, mesmo com o péssimo início, fechamos com 113 mil vendas. E em 2010, mantendo o ritmo atual, vamos bater fácil esse número”, contou o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal (Sincodiv-DF), Ricardo Lima.
Histórico
O presidente do Sincodiv falou que a alta das vendas nos últimos dias foi tão boa a ponto de ser praticamente certo que o terceiro mês deste ano será o melhor março da história do mercado automobilístico em Brasília. “Esse mês tem sido muito agitado, com recordes e mais recordes de vendas e até filas de espera. Mas as montadoras estão trabalhando forte para que ninguém fique sem carro”, disse Lima.
Quem não quer pagar mais caro, apressa o passo atrás do desconto. “Fazia pelo menos três anos que pensava em trocar de carro, mas sempre deixava para depois. Agora, com o benefício do IPI acabando, não tem jeito. Vou levar para casa”, adiantou a aposentada Idalina Pereira Cordeiro, 61 anos. O gerente comercial da concessionária Saga Volkswagen, Nelson Aguiar, é só sorrisos quando o assunto é o IPI baixo. “De fato, não há do que reclamar. Em um dia normal vendemos em média 40 carros. Mas no último sábado, por exemplo, emplacamos 135 veículos”, enumerou.
Até quem não pensava em trocar de carro caiu na tentação do IPI baixo. “Tinha vindo ver um carro com o meu genro e acabei levando um também”, admitiu o comerciante Silvio de Jesus Silva, 54 anos, que teve de esperar até duas semanas para poder levar o carro para casa, tamanha era a procura na concessionária. Segundo disse, os preços mais em conta e a possibilidade de encaixar a prestação no orçamento o convenceram a encarar a compra. Para isso, vai financiar o veículo em 48 meses.
Mais empregos
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a chamada linha marrom (móveis e painéis de madeira) gerou um aumento de produção de tal forma que permitiu ao setor diminuir praticamente pela metade a capacidade ociosa da indústria. Até novembro de 2009, o percentual não utilizado nas fábricas de móveis chegava a 30%. Em fevereiro, porém, esse número havia caído para 16%.
“O benefício do IPI foi uma grande conquista para o nosso setor, que estava em maus lençóis no fim do ano passado. Não fossem as desonerações, teríamos demissões. Com elas, não só mantivemos os empregos como também fizemos contratações”, avaliou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abmóvel), José Luiz Diaz Fernandez.
Segundo contou, durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o setor registrou um aumento nas vendas na ordem de 14%. E ainda pode aumentar. “Ainda faltam vir os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas acreditamos que esses últimos dias têm sido muito bons para todo o setor”, refletiu.
Quem atesta esse bom momento é a vendedora Luanda Veras, 31 anos. “Qualquer desconto no preço facilita muito a nossa venda. Mas o IPI tem feito a diferença”, reconheceu. Em suas palavras, a alta nas vendas na loja em que trabalha foi bastante forte entre janeiro e março. “Se fosse chutar, diria que vendi uns 20% a mais nesses meses. E que desse número, entre 5 e 7 (pontos percentuais) foram devido ao IPI”, contabilizou.
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Fonte: Correio Braziliense Online
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Tags: Ipi
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