• Maio de 2018
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Estatais falam dos desafios da gestão no resgate da confiança

Debate aconteceu durante o Congresso FNQ de Excelência em Gestão em São Paulo

Como as empresas, com anos de mercado, reconhecidas internacionalmente, resgatam a confiança de seus clientes e investidores após terem sido envolvidas em atos de corrupção? O tema foi debatido entre executivos da Petrobras, Eletrobras e Caixa Econômica Federal, durante o Congresso FNQ de Excelência em Gestão, em São Paulo, ocorrido em 27 de junho.

Para o diretor de Governança e Conformidade da Petrobras, João Adalberto Elek, foi um desafio quebrar uma cultura totalmente hierárquica e resgatar a confiança, principalmente dos colaboradores. “Você não aloca seu capital em quem você não confia e foi isso que aconteceu com a Petrobras. Repentinamente, perdemos grau de investimento e vimos nosso valor de mercado cair de 240 bilhões para 30 bilhões. Embora a excelência técnica não tenha sido abalada, nossos funcionários ficaram magoados. A nova gestão teve um grande desafio. Começamos a disseminar a ‘desierarquização’ da companhia, abrimos o canal de denúncia anônimo e normatizamos os processos éticos onde o principal valor é a preservação da vida. Creio que os funcionários estejam sentindo as mudanças e trabalham mais motivados. A ética e a integridade são, desde o início de nossa gestão, itens inegociáveis dentro da companhia”.

Para Elek, a liderança pelo exemplo tem feito a diferença. “Hoje, temos uma nova Petrobras, que faz a liderança pelo exemplo. Não estamos aqui para enriquecermos. A administração e a diretoria estão tentando mostrar qual é o caminho com muita transparência, o que é o melhor e o certo para a empresa”.

A crise de imagem enfrentada pela Eletrobras também fez com que a companhia revisse seus processos. “Perdemos mais da metade do valor ainda com adicional. Ficamos dois anos sem registro na Bolsa de Nova Iorque. Não podíamos operar em pregão. Estabelecemos um plano de Governança e Conformidade e tornamos mais robustos nossos processos, alinhando nossas empresas do setor elétrico e os sistemas em uma única estratégia”, afirma Wilson Ferreira Junior, presidente da Eletrobras.

O aparelhamento gerencial com o loteamento político de cargos também era um problema dentro da estatal. “Nossa estrutura, que era composta por cerca 2.220 gestores, foi reduzida para metade. Mantivemos o quadro técnico permanente e o desafio foi não só tirar cargos, mas qualificar as pessoas que ficaram nas funções. Tínhamos diversos assessores para diretor, superintende, gerente, mas isso foi tudo disciplinado. Agimos pela meritocracia, que acredito ser um caminho sem volta”, finaliza Júnior.

Porém, instaurar processos e normas sem que se observe a eficiência pode tornar a companhia ainda mais burocrática. Simone da Conceição Pereira Rosa, Superintendente Nacional de Organização, Governança e Processos da Caixa Econômica Federal compartilha. “Antes, a Caixa tinha uma gestão voltada para processos. O nosso desafio foi para que os gestores utilizassem os processos para uma boa governança. É imprescindível responsabilizar e direcionar os donos dos processos. Hoje, nossa gestão é com foco na governança. Estamos encontrando o melhor desses dois mundos”.

Sobre o CEG
A Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) realiza a segunda edição do Congresso FNQ de Excelência em Gestão (CEG).
Realizado anualmente, em São Paulo, o evento promove debate, compartilhamento e aprendizado de temas relevantes e tendências inovadoras sobre a gestão, tais como riscos emergentes, ética empresarial, sustentabilidade, inovação, educação, entre outros. O Congresso é dirigido a acadêmicos, empreendedores, servidores públicos e lideranças empresariais de grandes, médias e pequenas organizações.

Sobre a FNQ
Criada em 1991, a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) é uma instituição sem fins lucrativos que incentiva as organizações brasileiras, independente do porte ou setor, na busca pela excelência da gestão. Ao disseminar o Modelo de Excelência da Gestão® (MEG) e promover a capacitação de profissionais, a FNQ auxilia as empresas na implantação de um programa permanente de excelência da gestão, que gera resultados concretos para toda a organização. Desta maneira, contribui para o aperfeiçoamento do negócio e, consequentemente, o aumento da competitividade. www.fnq.org.br

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