• Outubro de 2018
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Pequeno negócio atrai mercado de fintechs

O mercado financeiro tradicional está com os dias contados. Pelo menos é o que defendem empreendedores à frente de negócios que aliam transações contábeis ou monetárias a plataformas tecnológicas, as já conhecidas fintechs. Para além de iniciativas que ganharam notoriedade, como GuiaBolso e Nubank, elas apostam na oferta de soluções simplificadas para outras empresas a produtos que até então eram executados por instituições financeiras tradicionais.

Essa movimentação chamou a atenção do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que realizou o primeiro estudo sobre o segmento na América Latina. Divulgado neste mês, o relatório mostra que uma em cada quatro fintechs criadas na região direcionam seus serviços para o pequeno empresário. O Brasil fica com a maior fatia e abriga 32,7% desse mercado, à frente de países como México, Colômbia e Argentina.

Conforme aponta o diretor da Divisão de Conectividade, Mercados e Finanças do BID, Juan Ketterer, o ecossistema das fintechs latinas é motivado por lacunas estruturais e por turbulências econômicas que costumam rondar o continente.

“Esse cenário abre espaço para novos sistemas financeiros”, analisa Ketterer. “Muitas empresas que hoje recorrem a bancos devem aderir nos próximos anos ao mercado de capitais em busca de financiamento, caso as fintechs tornem esse processo mais simples”, analisa o diretor.

Esse é o horizonte da Magnetis, startup que faz transações no mercado financeiro a longo prazo para pessoas físicas. A estratégia é oferecer carteira diversificada para clientes dispostos a aplicar no mínimo R$ 10 mil, com uma taxa de serviço de 0,4% ao ano pelo valor investido.

“O brasileiro hoje ainda faz investimentos como nossos pais e avós faziam”, comenta Luciano Tavares, CEO da startup. Ele acredita na proliferação de iniciativas com viés ‘vertical’, ou seja, fintechs que operem apenas com um segmento. Conforme analisa, isso pode diminuir a importância dos bancos numa perspectiva futura. “É uma mudança cultural alavancada pela ruptura com o modelo tradicional”, avalia o empresário, que já conseguiu captar R$ 3 milhões em uma rodada de investimentos.

Segmentos. Conforme aponta o estudo do BID, entre as fintechs latinas predominam as plataformas de financiamento alternativo, com 25,6%, e de soluções de pagamentos, com 25,2%. Esta última foi a oportunidade encontrada pela dupla de empresários Nilton Spengler Neto e José Henrique Kracik da Silva para criar a PagueVeloz, startup que oferece soluções de pagamento a pequenos empresários. Com 3,7 mil clientes cadastrados, eles pretendem, até o fim do ano, transacionar R$ 1 bilhão em serviços.

“Descobrimos como facilitar a operação financeira”, comemora Spengler. “O pequeno empresário tem de cuidar do negócio e não tem margem de tempo para perder com a parte financeira”, avalia. A PagueVeloz é mais uma das fintechs que miram nos pequenos negócios que ainda são desassistidos pelo sistema financeiro tradicional. A ideia surgiu em 2013, quando os sócios lançaram um sistema de emissão de boletos bancários a pedido de uma pequena empresa de Blumenau. “Até hoje não entendemos porque o gerente de um banco do Tocantins não conseguia emitir boletos para essa empresa”, relembra Spengler.

Em território nacional, levantamento realizado pelo FintechLab, segmento da agência de inovação Clay Innovation que acompanha o setor, 60% das fintechs se concentram nos segmentos de pagamentos, gestão financeira e empréstimos. Atenta a essa movimentação, a startup ContaAzul lançou em maio o sistema de emissão de boletos Receba Fácil, com o preço de R$ 4 por documento recebido. Em caso de inadimplência do cliente, o empresário não precisa arcar com o valor.

“Há uma tendência geral de facilitar serviços de cobrança. Colocar tecnologia nos pequenos processos envolve menos pessoas e barateia a estrutura”, discorre CEO da ContaAzul, Vinicius Roveda. “A rotina de pagamentos e recebimentos é crítica para a pequena empresa.”

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