• Novembro de 2017
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Educação superior e empreendedorismo

Segundo o censo da educação superior de 2015, temos hoje cerca de 8 milhões estudantes matriculados em nossos quase 32 mil cursos de graduação, oferecidos por cerca de 2400 instituições, entre universidades, centros universitários e faculdades isoladas.

Dados levantados pelo setor produtivo mostram que mais de 70% das empresas apontam a falta de pessoal qualificado com uma barreira para o desenvolvimento da inovação na indústria.

Precisamos melhorar estes índices, baixíssimos para a nossa economia, uma das oito, ou nove, maiores do mundo (já fomos a sexta), bem como assegurar que os nossos profissionais egressos dos cursos superiores adquiram, por meio de modernização das estruturas curriculares e de novas práticas pedagógicas, os conteúdos e as habilidades fundamentais, em constante mutação, em decorrência dos avanços da ciência e da técnica.

Atualmente a formação na educação superior compreende a geração das culturas da educação continuada, da inovação e do empreendedorismo. Por sua vez, a inovação depende do ambiente social, das tecnologias utilizadas num dado momento e do conhecimento cientifico disponível.

Dessa forma, o ensino necessita ser abrangente e multidisciplinar, garantindo uma sólida preparação nas disciplinas básicas, habilitando os profissionais a novas ocupações nas suas áreas, ou mesmo em outras áreas, já que as profissões se transformam e, em alguns casos, desaparecem.

Assim, espera-se que o perfil dos egressos permita a argumentação e a síntese em língua portuguesa, a assimilação e a aplicação de novos conhecimentos, o raciocínio espacial lógico e matemático, a observação, a interpretação e a análise de dados e informações, a utilização do método científico na prática da profissão, a leitura e interpretação de textos técnicos, e a capacidade de propor soluções.

No que concerne ao empreendedorismo, diversas atividades devem estar presentes na educação superior. Uma delas é a instalação de empresas júniores, já reguladas no Brasil, pela Lei 13267 de 06 de abril de 2016.

Nela, estabelece-se que a empresa júnior é uma “associação civil gerida por estudantes matriculados em cursos de graduação de instituições de ensino superior, com o propósito de realizar projetos e serviços que contribuam para o desenvolvimento acadêmico e profissional dos associados, capacitando-os para o mercado de trabalho”. Segundo Peter Drucker, o processo empreendedor envolve todas as funções, atividades e ações associadas com a percepção de oportunidades e a criação de organizações para persegui-las.

Por isso, empreendedorismo caminha ao lado da inovação e do conhecimento na preparação dos novos profissionais.

As empresas júniores vão além do estágio, porque asseguram ao estudante a compreensão abrangente da forma de atuação no ambiente profissional, levando-o à habilidade de trabalhar em equipe e de liderar grupos multidisciplinares, a capacidade de se apropriar de novos conhecimentos de forma autônoma e independente, a aprofundar o conhecimento em aspectos legais e ambientais, e ainda nos princípios éticos que os habilitem a exercer plenamente a cidadania. Além de colocar em prática o que foi aprendido nas salas de aula, as empresas júniores fomentam o empreendedorismo.

Dessa forma, é importante também fazer com que a educação superior se realize por meio de uma forte articulação da universidade com a empresa inovadora, seja pelo estímulo à criação de incubadoras e parque tecnológicos, seja pela realização de projetos conjuntos ou pela formação em campo.

Entretanto, os sucessivos cortes orçamentários e contingenciamentos de recursos no âmbito da ciência e tecnologia vêm impedindo tal aproximação.

O modelo da hélice tripla, que associa as ações de governos, universidades e institutos de pesquisa e empresas, deve ser estimulado e fortalecido para que possamos assegurar o processo de retomada do nosso desenvolvimento.

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