• Junho de 2018
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Mães abrem negócios em busca de horários flexíveis

É tarefa difícil conversar com uma mãe de negócios. A empreendedora Joana Kalil, 38, precisa dividir a atenção com o pequeno João Pedro, 3, enquanto fala ao telefone. Tem sido assim desde o dia em que ela optou por mudar de carreira profissional para ficar mais tempo com os filhos.

Mãe de três, ela se viu dividida entre o antigo emprego, como executiva de compras, e a vida familiar. Após o nascimento do terceiro filho, em dezembro de 2014, Joana decidiu começar a empreender com um antigo hobby.

Com Ana Luiza Luedy, 32, a história foi parecida. Pouco tempo depois de voltar da licença-maternidade, em 2010, a empreendedora, que também é arquiteta, trocou a obra e o escritório para tocar um pequeno negócio na área de moda gestante e pós-parto.

"Leva tempo para começar a ser reconhecida (no mercado) e ter uma clientela fiel" Joana Kalil, artesã

Ana e Joana são exemplos de mulheres que escolheram um novo projeto para a vida para a vida profissional depois da maternidade. Em tempos em que a participação feminina ainda é desigual no mercado de trabalho, o empreendedorismo chega como uma reinvenção.

Segundo pesquisa do IBGE, a participação das mulheres nos negócios tem aumentado. Para se ter uma ideia, entre 2001 e 2014, o número de mulheres com negócios apresentou expansão de 34% (passando de 5,9 milhões para 7,9 milhões de pessoas).

Desafios diários

Quando Ana saiu do emprego ela queria mais flexibilidade para cuidar do filho. “O período mais difícil para conciliar foi durante a fase de adaptação da escola do meu primeiro filho”, conta.

A ideia para o negócio surgiu durante uma viagem a São Paulo. A empreendedora conheceu um loja especializada em moda para gestantes e resolveu apostar em uma empresa com o mesmo perfil. “Preferi estudar antes e fiz um MBA também”, explica Ana.


- 34% foi o aumento do número de mulheres que abriram um negócio entre 2001 e 2104, passando de 5,9 milhões de empreendedoras para 7,9 milhões, segundo pesquisa do IBGE-

Grávida do terceiro filho, atualmente ela já consegue se sustentar a partir do lucro da loja e pretende aumentar o negócio.

Já Joana começou a empreender com crochê na própria casa, no bairro da Barra. Ela conta que no início teve dificuldades para engrenar no novo trabalho, mas já tira parte da renda familiar com as vendas. “Leva tempo para começar a ser reconhecida e ter uma clientela fiel”, explica.

A artesã produz crochê para decoração, acessórios, bolsas e moda infantil. Ela diz que participa de todas as etapas do negócio. “Eu recebo e produzo as encomendas. Também cuido da divulgação”, conta.

Empresária investe em inovação e faz planos de gravidez no futuro

Diferentemente das outras empreendedoras, Gabriela Correa, 38, optou por adiar a gravidez por conta do novo trabalho. Ela diz que deixou o plano de ter um filho para o futuro. “Eu tinha planos de engravidar este ano, mas tive que adiar por causa da empresa”, conta.

Idealizadora do Lady Driver, um aplicativo de transporte voltado especificamente para o público feminino, a empreendedora teve a ideia de criar o negócio depois de passar por uma situação constrangedora dentro de transporte privado, em fevereiro de 2017.

Gabriela criou o Lady Driver, aplicativo voltado para mulheres

O aplicativo, que só funciona em São Paulo, foi liberado um ano desde março deste ano pela prefeitura da cidade. Hoje, a ferramenta é utilizada por 3.100 mulheres. “No início foi um grande desafio porque nós entramos em um mercado que ainda é masculino”, diz Gabriela.

Com mais de 10 mil downloads, o aplicativo é bem procurado por mulheres que chegam à região. “Nosso objetivo é proporcionar a igualdade de gênero nesse ramo” , completa a empreendedora. Gabriela ainda possui mais duas sócias na empresa.

Revendedora de cosméticos divide tempo entre filhos e mais 2 atividades

O perfil do Instagram de Olívia Castro, 38, possui as seguintes informações: “Mãe, esposa, enfermeira, professora universitária e futura diretora-executiva da Mary Kay.

Durante os últimos oito anos, Olívia precisou dividir o tempo entre dois filhos, salas de aula, hospitais e vendas de produtos de beleza. Houve época em que ela chegou a abdicar de um cargo como coordenadora da área de enfermagem para conciliar o tempo com a família. “Era mais difícil para flexibilizar o horário, explica.

Mãe de 2 filhos, Olívia trabalha para ser diretora da Mary Kay

Orgulhosa, ela conta que conseguiu atingir metas de vendas até ganhar o carro rosa da Mary Kay, o veículo é uma espécie de presente para as unidades que atingem as metas de vendas. “Eu vendia no trabalho e sempre conseguia bater as metas. Era fácil”, comenta.

O trabalho na Mary Kay também fez com que Olívia aumentasse a renda da família. Segundo ela, uma diretora pode ganhar até R$ 30 mil por mês. Já as consultoras de venda podem ganhar de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil. “Nesse período de crise as mulheres conseguiram obter renda extra”, conta.

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