• Outubro de 2017
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Varejo de Manaus está pessimista com a Páscoa

Considerada uma das datas importantes para o comércio varejista, a Páscoa se aproxima com expectativa de queda no Amazonas. Segundo a Associação Amazonense de Supermercados (Amase), a estimativa é que a venda de chocolate para o período amargue recuo de 50%, na comparação com 2016.

Com a retração, não devem haver contratações temporárias nesta data, que este ano será celebrado no dia 16 de abril. Para evitar prejuízos, empresários investiram pouco na compra de produtos impulsionados pela redução no número de lançamentos do mercado de chocolate. O desemprego e endividamento da população são apontados como principais fatores para baixa venda.

O presidente da Assembleia Geral da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, afirmou que o cenário brasileiro ainda é de preocupação e cautela, o que reflete na economia local. Ele reforçou que a projeção do setor é de queda na venda de páscoa. “ É importante dizer que qualquer evento festivo naturalmente alavanca as vendas no comércio (durante a semana anterior e depois passam dos 15%), mas não tem como estimar um crescimento que não existe. Até porque qualquer taxa será em cima do ano passado, que já foi considerado ruim", explicou. A estimativa nacional é de queda entre 5% a 10% na comparação com o ano anterior.

Em 2017, a indústria de chocolate reduziu o portifólio de ovos de Páscoa. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o número de lançamentos caiu para 120. Em 2016, eram 147. “Com isso o comércio também teve que puxar o freio, porque não tem mcomo saber se vai vender tudo. Ainda estamos em um ano complicado com aumento do desemprego e a população mais preocupada em quitar suas dívidas”, destacou Bicharra.

“E para lançar qualquer coisa é custo extra para as empresas, que estrategicamente tem evitado ter custos e nem aumento dos preços para vender”, acrescentou.

Na avaliação do representante da ACA, a retração da venda no período anula a possibilidade de haver contratações temporárias no setor. “ As empresas estão trabalhando somente com o número necessário de funcionários. Não acredito que haverá nem no Dia das Mães deste ano, que é considerada uma das três datas mais importantes para o comércio", projetou Bicharra. “Este ano ainda será difícil para a economia, já passamos o primeiro trimestre dele em queda nas vendas do comércio e se antes via chances de melhora no segundo semestre, agora nem isso”, finalizou.

Já o gerente de marketing da rede DB, Guto Corbett, informou que a expectativa do grupo é manter as vendas do ano passado. Segundo ele, mesmo com a retração de pelo menos 20% nas compras de ovos de chocolate em relação a 2016, a rede continua sendo a maior compradora do produto na região. “Esse ano a indústria produziu menos, mas atendeu toda a nossa rede e estamos oferecendo todos os itens do momento. Acreditamos que a venda será bem próxima do ano anterior", afirmou.

Outro lado

Apesar da retração de vendas, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), se mantém otimista e a expectativa é que mantenha o número de vendas ou cresça até 1,5% em relação ao ano passado. De acordo com o presidente da entidade, Ralph Assayag, a estimativa é que as vendas cresçam conforme proximidade da data. Assayag afirmou que o comércio amazonense deve manter a quantidade de chocolates comprado no ano passado. “Foram adquiridos cerca de 36 mil toneladas de diversas formas e tamanhos, onde 15% dessa quantidade não foram vendidos em 2016. Nesses produtos foram dados descontos, que foram vendidos pela metade do valor inicial”.

O anúncio de menos lançamentos de ovos de páscoa neste ano, deve contribuir para a classe lojista no crescimento das vendas, comentou o dirigente. Para ele, antes nos anos anteriores estava tendo uma variedade imensa de opções de ovos confundindo o consumidor. “Com menos alternativas, as pessoas focam na qualidade dos produtos e os lojistas trabalham para tentar reduzir custo e manter uma boa venda”, declarou.

Referente a não contratação de temporárias para o comércio, Assayag reforçou que no momento as empresas querem economizar e tentam repassar o menor custo possível para o preço final para vender mais.

Nacional

Aproximadamente 39% dos consumidores em todas as capitais brasileiras planejam diminuir os gastos durante a Páscoa, na comparação com o ano passado, aponta o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O aumento dos preços dos ovos de chocolates e demais produtos típicos do período sem que a renda também tenha crescido (42%), além do desemprego (21%), são as razões mais mencionadas pelos entrevistados.

No total, 57% dos brasileiros vão presentar alguém nesta Páscoa. Três em cada dez (28%) consumidores estão indecisos e 15% disseram abertamente que não realizarã o compras. Segundo o levantamento, entre os consumidores que não pretendem comprar ovos de chocolats, os motivos mais citados são endividamento e a priorização de dívidas (22%). A falta de costume ou o fato de não gostarem da data (18%) e o desemprego (17%) completam a lista de justificativas.

Especialista

Para o especialista César Souza, o comércio nacional deve crescer cerca de 1,5% já descontada a taxa de inflação. Ou seja, uma retomada que não acontecia desde 2014. Segundo ele, o aumento das vendas se dá pela pequena melhoria na economia, pelo preço acessível e pelo nível de atendimento nas lojas. “O atendimento melhor, isso sim, aumenta as vendas. A Clientividade, conceito que criei e publiquei em livro, é a arte de vender mais e melhor. Quanto maior o grau de clientividade, maior o índice de vendas”, declarou.

Souza também acredita que o comércio compre um pouco mais de ovos de chocolates no período, dependendo do preço. “Mas tem tido tendência de diminuir o tamanho dos ovos. Lembro também que chocolate é uma espécie de indulgência para a crise, ou seja, comer chocolate causa uma satisfação que compensa frustrações com estresse gerado pela crise. Se não subirem os preços, há chances de vender bem pois ainda é um presente acessível”, observou.

De acordo com o especialista, tamanho e preço estão relacionados. “A preferência por ovos menores é por conta do melhor preço e também pela quantidade, porque algumas pessoas estão preocupadas com as calorias e ficam mais tranquilas comprando eles”, justificou.

Souza acrescentou que ainda faltam investimentos por parte de fabricantes de chocolates em produtos com pouca taxa de gordura para atender esse nicho de mercado. “Temos mais de 10 milhões de diabéticos no Brasil e quase outro tanto de pré-diabéticos, e pouca gente oferece ovos de páscoa diet e light com baixo teor de gordura”, ressaltou.

Na avaliação do especialista, neste ano, tudo indica que a taxa de absorção de temporários para a data no país caiu 10% em relação a 2016. “Vendas serão um pouco maiores, mas as vagas temporárias menores”, sentenciou. César Souza é fundador do Espaço do Empreendedor (EdE) e autor de 'Clientividade: Como oferecer o que o seu cliente valoriza' (Best Business, 2016).