• Outubro de 2017
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Intenção de consumo dos gaúchos tem alta em março, diz Fecomércio-RS

A intenção de consumo dos gaúchos teve alta em março deste ano, apresentando crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado e alcançando 65,4 pontos. O dado faz parte da pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF) da Fecomércio-RS, divulgada nesta quarta-feira (22). Conforme o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, o cenário sugere recuperação na economia.

"O mais importante está acontecendo: a intenção de consumo das famílias dá indícios de que está num processo de retomada. Entretanto, para o pessimismo virar otimismo ainda há um longo caminho a percorrer", alera Bohn. Apesar de tímida, a alta revela uma tendência de recuperação lenta e gradual do índice desde julho do ano passado, marcado por alguns períodos de estagnação.

O indicador relativo às perspectivas de consumo foi o que apresentou o maior aumento na comparação interanual: cresceu 64,5% em relação a março de 2016, registrando 95,9 pontos.

A perspectiva de retomada do mercado de trabalho, fortalecida recentemente com os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, também foi outro componente que impactou de forma positiva o ICF deste mês. Na avaliação relativa à situação do emprego, a alta na comparação com o mesmo período do ano passado foi de 23,6%, marcando 114,1 pontos. Os resultados do Caged, que têm revelado a criação líquida de postos de trabalho, vêm aumentando a confiança dos trabalhadores em relação à manutenção do emprego.

Ainda no âmbito do mercado de trabalho, a avaliação quanto à situação de renda atual caiu 37,7% na comparação com março de 2016, alcançando 46,7 pontos. Segundo a Fecomércio-RS, esse cenário persiste, pois, apesar da inflação em queda, os preços continuam aumentando, o que acaba levando a uma percepção de renda menor.

A perspectiva profissional foi outro dado negativo no ICF desse mês que registrou 66,6 pontos, recuando 31,4% em relação a março/2016. A previsão de melhora na economia e os resultados do mercado de trabalho formal gaúcho ainda não se traduziram em uma maior confiança dos trabalhadores no que se refere à melhoria de cargos e salários.

Em relação ao consumo, o índice persiste bastante deprimido, em 40,7 pontos, apesar de ter apresentado alta de 10,6% na comparação com março de 2016. A facilidade de acesso ao crédito caiu 0,2%, atingindo 50,6 pontos. O crédito permanece caro e os bancos, por sua vez, continuam muito restritivos na liberação de recursos.

Já o indicador que mede o momento para o consumo de bens duráveis alcançou 43,1 pontos, apresentando crescimento de 24,8%. A base de comparação bastante deprimida colabora para o registro de grandes variações. Apesar da alta em março, a pesquisa destaca que o cenário atual de renda e crédito afeta de forma especial o consumo de bens duráveis, itens geralmente de maior valor.

O ICF deverá se manter em patamar reduzido ao longo de 2017, apesar da melhora registrada em março. O impacto positivo na intenção de consumo pode ocorrer caso se confirme a tendência de criação de postos de trabalho.

"Os últimos dois meses foram positivos para o emprego no Rio Grande do Sul, mas ainda é cedo para isso demarcar uma tendência. Se isso se confirmar poderemos ver num futuro próximo uma melhora na intenção de consumo das famílias e, consequentemente, no comércio de bens, serviços e turismo no estado", analisa o presidente da Fecomércio-RS.