• Outubro de 2017
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Com renda menor, famílias mudam perfil de consumo para equilibrar contas

Com a crise financeira, que encolheu a renda das famílias brasileiras, o consumidor passou a gastar menos e foi obrigado a conter as despesas, assumir menos riscos e focar nas decisões de compra. É o que aponta um estudo da consultoria Nielsen.

Segundo o levantamento, em relação a 2015, o brasileiro reduziu principalmente seus gastos com itens básicos, como transporte, educação, compra da casa própria, e também no “supérfluo”, como lazer e vestuário. As preocupações atuais também são bem diferentes em relação a um ano antes da crise. Em 2013, qualidade de vida liderava o ranking, e hoje já perde espaço para a economia e o aumento dos preços dos alimentos.

O estudo também aponta que, após dois anos, gastando mais do que ganhando, as famílias, na média, conseguiram balancear as contas em 2016, desembolsando mais em algumas atividades. A classe AB, por exemplo, tem maior porcentagem de gasto com prestação de imóvel, a classe C em alimentação, higiene/beleza e limpeza do lar, e a classe DE com aluguel.

Segundo o estudo da Nielsen, 52% dos lares brasileiros foram impactados pela conjuntura econômica. São domicílios que não conseguiram pagar suas dívidas ou que algum membro da família ficou desempregado. Estes casos estão concentrados na classe C, com mais de três pessoas, comprometendo mulheres mais jovens (menos de 30 anos) sem ensino médio completo. Mesmo sentindo as dificuldades no seu cotidiano, esses lares têm comprado, em média, mais itens que antes, embora gastando menos.

Vale destacar que, mesmo nesse contexto, antes de reduzir consumo de alimentos, bebidas, itens de higiene/beleza e limpeza do lar, 58% adota outras medidas, tais como reduzir gastos com lazer fora de casa, e 18% declara não ter feito nenhum tipo de mudança orçamentária. Mais de um terço das famílias também afirma que vai se endividar novamente, após a quitação de suas dívidas.

Já os não impactados representam 48% dos domicílios, sendo que 77% destes estão poupando de alguma forma diante de incertezas. Eles economizam, principalmente, para pagar as contas em dia (40%), manter o padrão de vida que alcançou (22%), garantir os estudos próprio ou dos familiares (17%) e suster a casa própria que conquistou (11%). Eles estão concentrados na classe AB, com menos de três pessoas, e com a presença de donas de casa mais maduras (acima de 50 anos).

PERSPECTIVAS FUTURAS

Após quitar todas as suas compras parceladas, os brasileiros têm intenção de guardar dinheiro, mas também de consumir de maneira mais cautelosa. O estudo mostra que poupar ocupa o primeiro lugar, seguido de fazer outra compra parcelada, investir em lazer, consumir maior quantidade dos produtos que compra e que mais gosta e adquirir marcas que não consome atualmente.

— Sabemos que todo momento econômico é cíclico e que há previsões de melhora da economia em 2018. É importante ficar atento às tendências em relação ao envelhecimento da população, aos millenials que podem gerar longevidade às marcas e aos novos formatos de canais de compra, cada vez mais tecnológicos — finaliza Raquel Ferreira, especialista em entendimento do consumidor da Nielsen Brasil.

Fonte: Extra