• Setembro de 2018
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Como fica a indústria automotiva na era Trump

Logo após o Inauguration Day, realizado na última sexta-feira (20) e assumir a frente do cargo de homem mais poderoso do planeta, Donald Trump promete iniciar os movimentos para cumprir grande parte de suas promessas de campanha, muitas repercutindo em medidas estratégicas para as fabricantes nacionais.

Para cumprir suas metas de geração de emprego e “fazer a América grande de novo”, Trump já cumpriu uma de suas principais promessas de campanha e retirou, nesta segunda-feira (23) que deverá retirar os EUA do Acordo de Associação Transpacífico, que estabeleceu uma zona de livre comércio entre doze países da Ásia, Oceania e América. Além disso, também já está na mira do novo presidente norte-americano rever as condições do país no NAFTA (North American Free Trade Agreement), acordo de livre comércio envolvendo os três países da América do Norte.

Segundo Wilbur Ross, que vai estar a frente do Departamento de Comércio dos EUA, renegociar o NAFTA será uma “prioridade urgente” para os próximos meses. O bloco foi estabelecido em 1994, contudo o novo time da Casa Branca já anunciou que “se os membros se recusarem a proporcionar aos trabalhadores americanos um acordo justo, o presidente sinalizará a tendência do país a se retirar do NAFTA”. Pelo visto o tom e o ritmo das negociações não serão nada amistosos.

Um estudo interessante do Center for Automotive Research (CAR), contudo, aponta para um raciocínio inverso ao que a administração Trump pensa em executar. De acordo com o fundo, uma eventual saída dos EUA do NAFTA pode significar a perda de até 31.000 postos de trabalho na indústria automotiva nos EUA além de desencadear um aumento no preço dos veículos comercializados por lá.

A ideia de Trump, dentre outras decisões, é passar a cobrar um imposto de importação de 35% para os veículos produzidos no México e comercializados nos EUA. Ainda de acordo com o CAR, caso a sobretaxa entre em vigor cerca de 6.700 postos de trabalho na indústria automotiva podem ser encerrados e aproximadamente 450.000 carros deixarão de ser vendidos. O motivo, segundo o CAR, é que veículos produzidos no México contam, em média, com 40% de suas peças fabricadas nos EUA, enquanto um carro produzido nos EUA usa apenas 12% de autopeças trazidas do país conhecido pela tequila. Com isso, 20.000 postos de trabalho em fornecedores e outros 11.000 empregos de setores ligados à atividade poderiam ser suspensos, aponta o CAR.

Esse alerta inclusive foi dado por autoridades mexicanas, que consideram o NAFTA crucial para manter a competitividade dos EUA nos negócios. Mesmo com as relações começando a se desenhar, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, parabenizou Trump pela posse e declarou que “o interesse nacional e a proteção dos mexicanos guiará a relação com o novo governo dos EUA”.

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, também foi cortês na primeira mensagem, mas também passou algumas mensagens nas entrelinhas para Trump. Segundo Trudeau, “os EUA e o Canadá construíram um dos relacionamentos mais próximos do que quaisquer outros dois países no mundo. Juntos, nos beneficiamos de acordos robustos e laços de investimentos que integram nossas economias e sustentam milhares de empregos no Canadá e nos EUA”.

Alguns líderes da indústria automotiva estão na espera de que seus emissários consigam convencer a gestão Trump do valor do NAFTA para os três países e particularmente do papel do México em tornar os fabricantes mais competitivos. O bloco econômico, contudo, sempre foi muito atacado por sindicalistas dos EUA e Canadá há vários anos.

Em outro comunicado carregado de ufanismo por parte da Casa Branca, a equipe do novo mandatário declarou que “por muitos anos os acordos de comércio eram negociados por e para membros do establishment de Washington. O presidente Trump quer garantir que durante seu mandato as políticas de troca será implementadas por e para o povo e colocarão os EUA em primeiro lugar”.

Segundo Marina Whitman, especialista em comércio na Universidade de Michigan e ex-economista-chefe da GM, quando ouvida pelo Automotive News fez uma análise interessante de que mesmo antes da retórica protecionista de Trump, o comércio global começou a cair, enquanto o consumo interno começou a ser cada vez mais incentivado nos países. Mesmo assim, para a economista, o NAFTA poderia ter suas condições “atualizadas”, mas ressalta que a proposta de Trump é “drástica e irracional”, podendo trazer consequências graves tanto para os EUA bem como os países mais relevantes em suas trocas comerciais, como China, México, Canadá e até mesmo na economia global como um todo.

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