• Outubro de 2017
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Casas Bahia e Ponto Frio têm um novo modelo de gestão

A Via Varejo mudou a forma como opera as suas lojas, formadas pelas redes Casas Bahia e Ponto Frio, numa tentativa de criar um modelo de gestão que consiga melhorar indicadores atuais de venda e rentabilidade. Os ajustes acontecem num momento em que o controlador negocia a venda da empresa e há uma busca pela recuperação dos resultados.

Analistas estiveram ontem em visita ao Centro de Distribuição da Via Varejo, em Jundiaí (SP), e foram detalhadas algumas ações implementadas nas lojas. Um conjunto de mudanças, que começaram a ser desenhadas há cerca de um ano, passaram a ser executadas de forma mais ampla nas lojas nos últimos três meses. É a primeira reformulação na forma de as lojas operarem desde que Ponto Frio e Casas Bahia anunciaram a fusão das redes, em 2009.

As ações tomadas passam, por exemplo, pela descentralização na tomada de decisões do dia a dia da loja e pela mudança no formato de remuneração de vendedores. No total, foram envolvidos nesse processo 43 diretores regionais, pouco menos de mil gerentes e outros cinco diretores de rede, com os cargos mais altos nessa hierarquia.

Cada uma das 970 lojas passaram a ter, além dos gerentes, os coordenadores líderes e os vendedores líderes (ambos em posição abaixo do gerente) que passam a ajudar em determinadas discussões e decisões tomadas dentro das lojas. Não houve contratações, já que funcionários de destaque foram selecionados para as funções. O coordenador é uma espécie de "sombra" do gerente, ajudando no controle de estoques e despesas e será acionado quando o gerente não estiver na loja. O vendedor líder ensina e ajuda a motivar os demais vendedores, e entre outras funções, atua para melhorar a abordagem ao cliente na loja.

"A ideia é que trabalhem juntos, resolvendo problemas que foram surgindo [...]. Até então, as responsabilidades eram muito concentradas no gerente, que agora passa a ser mais liberado para cuidar da atividade comercial da loja", disse Paulo Naliato, diretor executivo de lojas físicas da Via Varejo.

Ajustes ocorrem enquanto o controlador negocia a venda da empresa e busca recuperar resultados

Uma das mudanças implementadas aconteceu na venda de produtos e serviços financeiros. Percebeu-se que o consumidor reage de forma mais negativa se o vendedor tenta lhe apresentar outros produtos, como seguro habitacional ou de vida (a venda é liberada em alguns Estados). Com a reformulação, empregados do caixa e do crediário tratam dessa comercialização - a empresa já havia identificado aumento no tempo ocioso desses funcionários na loja. Com essa alteração, o local destinado para o caixa e o crediário em algumas lojas mudou e foi unificado. "Após essa decisão, triplicou-se a venda de produtos financeiros não ligados a mercadoria", disse o executivo.

Também houve mudanças na forma de remuneração dos empregados. A ideia é manter uma equipe de 300 pessoas, que participaram do processo de treinamento, atuando como uma espécie de fiscalizadores dos ajustes feitos. As lojas serão avaliadas periodicamente e haverá pontuações (existirão lojas ouro, prata, bronze e diariamente), numa tentativa de evitar que o modelo seja descaracterizado. Os funcionários de lojas melhores avaliadas terão prioridade nas promoções e podem receber benefícios em dinheiro.

A empresa diz que o investimento foi baixo (não informa o valor), e feito basicamente em treinamento da equipe, e houve remanejamento de verba de outros projetos para este. A Via Varejo começou a testar o projeto entre fevereiro e março, e no segundo semestre, passou a ser replicado para um volume maior de pontos. A implantação em todas as unidades devem ser finalizada neste mês.

Em termos de resultados, Naliato diz que, numa comparação de duas lojas (uma com o modelo novo e outra sem ele), com objetivo de atingir determinado lucro bruto, a loja reformulada atingiu um resultado até dez pontos percentuais acima da meta de lucro prevista. No mesmo encontro com analistas, outro tema tratado foram as estimativas de ganhos de sinergia com a integração da operação das lojas físicas da Via Varejo com o negócio de venda on-line da Cnova Brasil. A empresa ressaltou que a previsão de ganhos totais de R$ 570 milhões estão mantidos e novas sinergias eventualmente podem ser identificadas no processo.