• Outubro de 2017
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Cartões de crédito são aliadas nas vendas, porém custam caro aos lojistas

Os meios de pagamento eletrônicos cresceram tanto, nas últimas duas décadas, que, pelos cálculos do Banco Central (BC), cada brasileiro detém, em média, dois cartões na carteira. O que, no entanto, desponta como um avanço, daqui a alguns anos, já será passado. Não por acaso, as empresas têm investido cada vez mais em tecnologia para tornar a vida dos consumidores mais fácil. Os avanços passam pela conversão de celulares, relógios, pulseiras e até anéis em dispositivos que terão as mesmas funções do dinheiro de plástico. O mundo tem visto essas alterações afetarem tendências de consumo e de comportamentos. O que exigia presença física, agora pode ser adquirido no e-commerce, enquanto os pagamentos em espécie (dinheiro vivo) são substituídos pelos cartões.

Exemplos de adeptos dessa praticidade, os servidores públicos Hamilton Farina, 36, e sua esposa, Daniella, 27, não economizam elogios. Ela acha perigoso andar com dinheiro na bolsa nos dias atuais e adotou o cartão de débito. Suas contas mensais já são pagas por meio de um aplicativo no celular. Hamilton diz que é fã da tecnologia como meio de pagamento de contas cotidianas ou extras. “Uso aplicativos do celular para pagar da lavagem do carro a passagens aéreas”, afirma.

Até o fim do 2015, o Brasil registrava 317,3 milhões de cartões de débito emitidos, além de 165,2 milhões dos de crédito, para uma população estimada em 203 milhões. Esse mundo de cartões movimentou mais de R$ 1 trilhão, dos quais R$ 678 bilhões no crédito e R$ 309 bilhões, no débito. A conta incluiu ainda os cartões de vale-alimentação e de vale-refeição. Na média, o crescimento do setor foi de 11%, apesar da profunda recessão que massacrou a economia brasileira.

Distorções

Com números que só crescem, para o consumidor o interesse é usar com mais facilidade, agilidade e menor custo. Do lado do lojista ou prestador de serviços, a questão também é reduzir o preço das transações, para vender mais barato à clientela. Se financiar sua compra com cartão de crédito, o usuário pagará os juros mais elevados da América Latina: 436% ao ano, em média, 10 vezes mais que o segundo colocado, o Peru, com taxa média de 43,7% anuais.

Já o lojista reclama que também paga no Brasil uma tarifa administrativa bem salgada, às vezes superior à média nacional de 5% sobre o valor da compra no caso do cartão. Essa taxa é mais que o dobro do que empresários de outros países costumam desembolsar. Mas, nesse caso, ela não deriva dos juros altos da rede bancária. O encarecimento das transações com cartões para os lojistas brasileiros é resultado de um ambiente de altos custos operacionais, conjugado com pouca concorrência nesse mercado.

Os empresários querem mudanças, das quais os maiores beneficiários serão os consumidores. “Os setores de comércio e serviços não estão buscando proteção ou subsídios do governo. Queremos é que as regras do mercado, as boas práticas da concorrência internacional, possam ocorrer também no Brasil, a favor do consumidor”, afirma Paulo Solmucci Júnior, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e dirigente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs).