• Outubro de 2017
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IBGE: recuperação do varejo depende de renda, crédito e inflação sob controle

Rio, 10 - O varejo ainda não dá sinais de que o fundo do poço já ficou para trás, confirmou Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Ainda não tem um quadro que possa observar recuperação, nem na margem (comparação com o mês anterior) nem na comparação com (o mesmo mês de) 2015", ressaltou Isabella.

As vendas recuaram 1,0% em setembro ante agosto. Na comparação com setembro de 2015, a queda foi de 5,9%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgados pelo IBGE.

A pesquisadora do IBGE acredita que a recuperação das vendas só virá quando houver expansão da renda, redução no custo do crédito e inflação sob controle.

No terceiro trimestre, as vendas no varejo recuaram 5,7% em relação ao mesmo trimestre de 2015. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a queda alcançou 9,0% no mesmo período.

"As taxas trimestrais recuam há sete trimestres consecutivos, tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior quanto na comparação com o mesmo período do ano anterior", ressaltou Isabella.

Veículos

O avanço de 2,9% na produção de veículos e motos, partes e peças na passagem de agosto para setembro amenizou a queda no varejo ampliado no período. A redução foi de apenas 0,1%, apesar dos recuos disseminados entre a maioria das atividades pesquisadas. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

"O que aparece de melhora são vendas de carros usados, não de carros novos", ressaltou Isabella Nunes.

Isabella ressalta ainda que, apesar do avanço em setembro, o segmento de veículos vinha de três meses consecutivos de perdas, período em que acumulou uma retração de 7,4%. "(O avanço) Sequer compensa a perda passada de 7,4% em três meses de quedas", reforçou a pesquisadora.

Na passagem de agosto para setembro, a atividade de material de construção encolheu 3,1%; hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 1,4%; móveis e eletrodomésticos, -2,1%; livros, jornais, revistas e papelaria, -2,0%; tecidos, vestuário e calçados, -0,7%; combustíveis e lubrificantes, -0,5%; e outros artigos de uso pessoal e doméstico, -0,3%.

Os setores que escaparam do vermelho foram artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com avanço de 1,0% em relação a agosto, equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que ficou estável (0,0%).