• Novembro de 2017
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RS: Inadimplência desafia desempenho do varejo

Uma das questões mais graves e problemáticas para a retomada do crescimento do varejo é o aumento da taxa de desemprego e, consequentemente, da inadimplência dos consumidores, avalia o presidente da Lojas Lebes, Otelmo Drebes. Segundo o empresário, estes são desafios que o setor continuará enfrentando em 2017, principalmente no Rio Grande do Sul, onde - para piorar - os salários dos servidores estão sendo parcelados, por conta das dificuldades do governo gaúcho.

Ao recordar a trajetória de 60 anos da empresa durante sua palestra no evento Tá na Mesa, promovido ontem pela Federasul, Drebes afirmou que, sem dúvida, esta é a mais longa crise econômica enfrentada pelos varejistas nos últimos 30 anos. "Vai levar ainda um bom tempo para que haja uma retomada no crescimento do comércio", opinou o empresário. O palestrante citou aspectos que têm direcionado a rede nos últimos três anos, quando o desempenho do faturamento deixou de crescer uma média de 20% ao ano para alcançar um patamar máximo de 5% a mais que 2015, e fechar 2016 na casa de R$ 1 bilhão.

"Ainda assim, será um bom resultado, visto que tem empresas que inclusive deixaram de crescer", ponderou Drebes. Ele avalia que um dos motivos que ajudou a Lebes a se manter sustentável foi "trabalhar com os pés no chão". "Sempre primamos pela visão de que não é salutar dar o passo maior que as pernas", ilustrou o gestor, lembrando que os empresários do setor continuam tendo que custear altas cargas tributárias, enquanto na contramão, enfrentam a queda de vendas e o aumento da inadimplência. Na Lebes, o número de consumidores que passou a deixar de pagar suas dívidas aumentou de 2% em 2013 para 5% em 2016.

Somando 144 lojas no Estado e uma em Santa Catarina, a rede de móveis, eletrodomésticos e roupas para toda a família deverá continuar expandindo, ainda que de forma mais moderada. De acordo com Drebes, o plano de expansão da empresa se mantém, com a previsão de abertura de mais quatro filiais em 2017.

Nos últimos anos, enquanto muitos varejistas fecharam as portas ou demitiram funcionários, a Lebes manteve o quadro, limitando-se a não contratar em casos onde ocorreria turnover.

"Com a crise, buscamos adequar os custos, reduzir alugueis e renegociar contratos", assumiu o empresário. Segundo Drebes, também foi necessário intensificar as estratégias de venda - redobrando a atenção aos consumidores - e de motivação de equipes. Para o gestor, a perspectiva para o Natal é de manter o crescimento de 5% em vendas frente a dezembro do ano passado, ainda que com dificuldades. "Hoje se precisa trabalhar muito mais para crescer menos", avaliou. O ticket médio das compras de Natal, segundo cálculo do varejista, deverá girar em torno de R$ 600,00 para produtos do setor de móveis e eletrodomésticos e de R$ 150,00 no segmento de confecção.

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