• Novembro de 2017
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Como o cartão de loja ajudou a atravessar a crise

São Paulo – Do cartão de marca própria a empréstimos pessoais, diversas varejistas também oferecem serviços financeiros a seus clientes. Com a crise econômica, porém, alguns negócios começaram a ter dificuldades com perdas ou inadimplência.

Rapidamente, elas reviram suas estratégias, endureceram políticas de concessão e fizeram provisões. No entanto, não cortaram completamente o acesso ao crédito, ainda que pudessem ter perdas, para ajudar a proteger a sua divisão do varejo, afirmam especialistas entrevistados por Exame.com.

Sem a concessão de crédito o segmento de varejo teria sofrido muito mais, afirma o analista Luiz Cesta, da Votorantim Corretora. Por isso, as perdas com inadimplência ou despesas com provisões são necessárias para sustentar as lojas. "Se o crédito secasse de uma vez, a queda nas vendas seria muito pior, ainda mais no setor de eletrodomésticos", considera ele.

Além disso, “os serviços financeiros aumentam o tíquete médio da compra, ao disponibilizar mais crédito para gastar na loja", disse ele.

A Guararapes, dona da Riachuelo, foi a empresa que mais sofreu nesse aspecto. Sua operação financeira corresponde a 44,6% de todo Ebitda do grupo.

A inadimplência dos empréstimos pessoais decolou no último ano, passando de 11,7% em junho de 2015 para 18,6% esse ano. Para se precaver e cobrir despesas futuras, as despesas com provisionamento cresceram 56,3%, chegando a R$ 181,83 milhões, prejudicando o Ebitda do segmento.

A Renner conseguiu controlar a inadimplência do Cartão Renner, mas as perdas com o Meu Cartão e Saque Rápido subiram para 5,1% e 6,1% respectivamente.

Na Magazine Luiza, a divisão financeira viu o faturamento crescer 5,2%, para R$ 2,83 bilhões no último trimestre. O lucro operacional e líquido caíram durante todo o ano passado, mas começam a mostrar sinais de recuperação no primeiro semestre desse ano.

Ainda mais importante

As divisões surgiram para complementar as receitas das empresas e impulsionar o consumidor a comprar mais. Hoje, são parte importante do negócio e também ajudam a impulsionar as vendas de estoques ou coleções que não venderam tanto quanto a empresa havia planejado.

Com a queda das vendas de produtos, algumas empresas também viram um aumento da participação da divisão financeira nas receitas. Um exemplo é a Marisa: o cartão private label aumentou sua participação nas vendas da companhia em 2,7 pontos percentuais, para 44,2% das vendas.

Isso fez com que a receita de juros, líquida e captação tivesse aumento de 2,1%. O Ebtida dos produtos e serviços financeiros chegou a R$ 30,6 milhões no segundo trimestre de 2016, crescimento de 86,0%.

Queda controlada

A queda poderia ser muito pior, diz Alberto Serrentino, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). "Diante do que o país passou no último ano, é inevitável que exista algum impacto na carteira de crédito", afirmou.

"Porém, já vivemos crises econômicas que quebraram muitas varejistas, como a Casa Centro, Mappin, Arapuã. Hoje, as empresas são mais maduras, controladas e conservadoras", afirmou ele.

O amadurecimento das varejistas se reflete em suas divisões financeiras. Muitas fizeram parcerias e joint ventures com bancos, para diluir os riscos das operações. A exceção é a Riachuelo, que administra sua própria financeira.

Fonte: Exame

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