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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010
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Comércio espera vendas maiores
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O setor varejista estima aumento de até 8,6% das vendas neste ano, segundo previsão otimista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Contudo, para o segundo semestre, o cenário ainda é indefinido. A possibilidade de elevação da taxa básica de juros, hoje em 8,75% ao ano, pode prejudicar a concessão de crédito e afetar o consumo, de acordo com o economista-chefe da CNC e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas.
O índice de intenção de consumo cresceu 0,2% em fevereiro. A ligeira alta revela que os brasileiros se mantêm animados para comprar, porém não há um clima de euforia. “Há perspectiva positiva para as compras, mas não de aquecimento excessivo da demanda”, avalia Freitas. A perspectiva de aquisição de bens duráveis teve crescimento em fevereiro de 7,1%, enquanto a avaliação sobre a renda atual do consumidor encolheu 1,7%.
Freitas disse que os dados divulgados quarta-feira pelo BC sinalizam aumento da Selic e recuo de crédito para pessoa física. “A própria possibilidade de os juros ficarem maiores pode frear o consumo”, acrescentou.
Pagamento à vista
O coordenador de TI Rafael Coutinho, de 26 anos, precisa de um carro novo e está tentando comprar à vista para fugir da taxa do financiamento. Ele não acredita, contudo, em uma elevação dos juros.
– Não acho que seja o melhor momento para comprar um carro, mas agora é bem melhor do que há alguns anos, quanto tínhamos inflação alta – compara Coutinho.
Responsável pela Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), a economista da CNC Marianne Hanson disse que os riscos para o aumento da inadimplência serão maiores a partir do segundo semestre de 2010. Para os próximos meses, o cenário ainda, ainda favorável para crédito e renda, beneficia o aumento do endividamento.
A publicitária Rafaela Calabrio, de 30 anos, disse que tem consumido mais, já que o salário e o poder de compra aumentaram nos últimos meses. Ela trocou de carro no início deste ano e pretende continuar adquirindo produtos se a economia mantiver os bons sinais.
– Se os juros realmente subirem, vou começar a economizar cortando as compras de supérfluos – ressalta Rafaela.
Segundo o estudo, o percentual de famílias com dívidas aumentou em fevereiro, em relação a janeiro (61,8% ante 61,2%). Apesar disso, no período, o percentual de famílias com contas ou pagamentos em atraso caiu de 29,1% para 25,6%, e os que não terão condições de pagar suas dívidas recuou de 10,2% para 8,6%.
Menos renda, mais dívidas
A artista plástica Júlia Vaz, de 25 anos, disse que pretende comprar menos para economizar e viajar no fim do ano. “Acho que o preço dos produtos está muito alto. Por isso, não vou gastar tanto”, disse.
As famílias com renda familiar de até dez salários mínimos estão mais endividadas que as com ganho mensal superior a este patamar (63,9% e 49,6%, respectivamente). A mesma relação acontece entre os que acreditam que não terão condições de pagar suas dívidas: 9,4% para as famílias que ganham até dez salários mínimos, e 3,6% para o retorno acima desta marca.
Consumidor endividado tem menos confiança
O aumento da inflação e do endividamento das famílias abateu a confiança do consumidor brasileiro em fevereiro, mostrou pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), entre os dias 1º e 19, em mais de 2.000 domicílios de sete capitais do país. O índice mostrou queda de 2,2% em relação a janeiro, para 110,2 pontos. Segundo a FGV, 9,3% dos entrevistados esperam comprar mais bens duráveis nos próximos seis meses, e 31,8% estimam reduzir suas aquisições de maior valor agregado.
– Há uma preocupação, principalmente entre as classes mais altas, de que a inflação maior vai puxar os juros e pode provocar uma desaceleração da economia. Já o consumidor de menor renda sente o efeito de aumentos de alimentos e transportes no bolso – disse o economista da FGV, Aloisio Campelo. – Há também uma capacidade de endividamento esgotada (com as compras de Natal). É um momento de ajuste do orçamento doméstico.
Campelo destacou que a intenção de compra de bens duráveis atingiu em fevereiro o menor patamar em quase um ano (a 77,5 pontos), bem abaixo da média histórica, de 82,6 pontos.
Caem concessões de crédito
A satisfação com a situação econômica foi o que mais puxou o índice para baixo. Os consumidores que a avaliaram como boa somaram 19,8% em janeiro, contra 16,9% em fevereiro.
As novas concessões de crédito no Brasil caíram 7,5% em janeiro, enquanto a taxa média de juros subiu, e a inadimplência recuou levemente, informou quarta-feira o Banco Central. O crédito total disponibilizado pelo sistema financeiro nacional, incluindo recursos livres e direcionados, aumentou 0,7% em fevereiro, para R$ 1,422 trilhão. Como resultado, os empréstimos totais passaram a representar 44,6% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 45% em dezembro.
Segundo o BC, houve avanço em modalidades como crédito pessoal e rotativo, associado à concentração de compromissos financeiros e tributários no início do ano.
Considerando as operações com recursos livres, a taxa média de juros aumentou 0,8 ponto percentual em relação ao final do ano passado, para 35,1% ao ano. A inadimplência, referente aos saldos em atraso acima de 90 dias, passou de 5,6% em dezembro para 5,5%.
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Fonte: JB Online
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Tags: Comércio, Consumo
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