• Setembro de 2018
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Empreendedores investem em fashion trucks

Depois do boom dos food trucks, os veículos adaptados para oferecer comida nas ruas, chegou agora a vez dos fashion trucks – lojas móveis de roupas e acessórios – buscarem seu lugar ao sol no mercado. Eles não precisam necessariamente ser caminhões, mas vans, kombis, trailers e até mesmo bicicletas abastecidos com as tendências do mundo da moda.

Victor Hugo Ferreira foi um dos que resolveram apostar na ideia e vem se dando bem no mercado paulista. Sua loja móvel, a Dolce & Faceira Acessórios, tem como foco o público feminino. Inaugurado no fim de 2012, o fashion truck trabalha com peças de produção própria, do interior de São Paulo e também do Sul do País.

O empresário explica que, a princípio, chegou a abrir uma loja física no modelo convencional em Juquitiba (SP), porém o baixo fluxo de pessoas e queda nas vendas o levaram a abrir uma loja móvel. “Começamos a pesquisar e vimos que havia algumas lojas móveis de vestuário e bolsas, daí evoluímos a ideia e decidimos fazer uma loja mais sofisticada, que chegasse o mais próximo possível de uma loja física, com todo conforto, elegância, e charme que encontramos em tais pontos fixos”, explica.

Mais novo no mercado, mas não menos atuante é o Achado Trailer, inaugurado em outubro de 2014 pela estilista Camila Machado. A primeira coleção lançada foi um garimpo feito na Europa, em cidades como Londres e Berlim. Hoje o trailer já conta com uma coleção completamente autoral. “Tivemos a ideia observando o movimento de trailers de moda nos Estados Unidos e o crescente mercado de food trucks no Brasil”, explica Camila, que aposta no design urbano de sua coleção.

Para o sucesso do negócio, no entanto, não basta apenas comprar um veículo e sair pelas ruas comercializando os produtos. É necessário um plano de negócios e um estudo de mercado para determinar qual nicho será escolhido pelo empreendedor. “É preciso também analisar a viabilidade técnica do empreendimento, além de conhecimento em moda. Assim será possível contar com bons fornecedores para sempre ter novidades, um pressuposto importante para este negócio”, explica o consultor do Sebrae-SP Fábio de Azevedo.

Divulgação

Estar (e empreender) na moda significa também usar o principal meio de comunicação contemporâneo para impulsionar os negócios. As mídias sociais são fundamentais para fazer o marketing dos fashion trucks, tanto o Facebook quanto o Instagram, além dos sites próprios. “Postamos diariamente o local onde iremos fazer a nossa parada. Estamos até mesmo nos organizando para iniciar nossas vendas via redes sociais em breve”, revela Ferreira.

Ainda não existe uma legislação específica para fashion trucks no Brasil, mas a lei que atende hoje a esta operação é para a venda externa em eventos ou locais privados. No caso de locais públicos é necessário ser autorizado pelas prefeituras. Também é importante ter a orientação de um contador para auxiliar o empreendedor nesta etapa do negócio. “Seria muito importante uma regulamentação própria para os fashion trucks, principalmente para os veículos estabelecerem pontos comerciais na rua ou em eventos específicos”, aponta Azevedo.

O Dolce & Faceira acessórios, por exemplo, é instalado em cerca de dez pontos de parada em São Paulo no qual o estacionamento é permitido e o fluxo de pessoas no local auxilia nas vendas. “A princípio nossa ideia era parar em frente a faculdades, mas num teste feito em centros empresariais vimos que o poder de compra era muito maior nestes lugares”, explica Ferreira.

O Achado Trailer, por sua vez, até iniciou suas atividades nas ruas, mas atualmente participa exclusivamente de grandes eventos ligados à moda. “Optamos por isso por questão de segurança e rentabilidade do negócio”, conta Camila.

Custos e retorno

São inúmeros fatores que determinam o valor do investimento em um fashion truck: veículo, suas adaptações, reserva para manutenção e preservação, equipamento, comunicação visual, plano de marketing, estoque, contratação de serviços especializados e, principalmente, o capital de giro necessário para bancar a operação nos primeiros meses.

Como em qualquer tipo de empreendimento, Azevedo destaca que é importante fazer o plano de viabilidade técnica (econômica e financeira) do negócio, que poderá determinar ou prever o prazo de retorno. “Se considerarmos outros modelos de vendas sobre rodas que possuem hoje até formatação de franchising, podemos estimar o retorno entre 12 e 24 meses dependendo do investimento, mas a análise sempre deve ser caso a caso”, pondera.

Fonte: Revista PEGN

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