• Novembro de 2017
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Indústria brasileira ainda se familiariza com a digitalização, afirma CNI

O Brasil ainda tem muito a caminhar em relação à adoção de tecnologias digitais relacionadas à era da manufatura avançada, a chamada indústria 4.0. É o que revela estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 2.225 empresas de todos os portes, entre 4 e 13 de janeiro de 2016.

De acordo com os resultados, a maior parte dos esforços feitos pela indústria no Brasil está na fase dos processos industriais: 73% das empresas que afirmaram usar ao menos uma tecnologia digital, fazem isso na etapa de processos. Outras 47% utilizam ferramentas digitais na etapa de desenvolvimento da cadeia produtiva e apenas 33% em novos produtos e novos negócios.

Pouco menos da metade das empresas industriais utiliza, no mínimo, uma das dez tecnologias digitais listadas na pesquisa, como automação digital sem sensores; prototipagem rápida ou impressão 3D; utilização de serviços em nuvem associados ao produto ou incorporação de serviços digitais nos produtos. E outros 42% não identificaram quais dessas tecnologias digitais listadas têm o maior potencial para impulsionar a competitividade da indústria.

Indústria eletrônica está entre as mais avançadas

O setor que inclui empresas de eletrônicos, comunicações e equipamentos médicos tem o maior percentual de empresas que utilizam pelo menos uma das 10 tecnologias digitais avaliadas: 61% das empresas. Esse setor aparece em primeiro lugar no ranking do uso em todos os estágios da cadeia: 43% das empresas utilizam tecnologias focadas em processo; 41% utilizam tecnologias ligadas à etapa de desenvolvimento e 22% utilizam tecnologias com foco no produto ou em novos modelos de negócios.

O setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos aparece praticamente empatado com equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos em termos do percentual de empresas que utilizam pelo menos uma das tecnologias digitais de um modo geral (60%). Em relação ao uso das tecnologias digitais segundo os estágios da cadeia, esse setor também aparece nas primeiras posições nos rankings do uso de tecnologias ligadas ao desenvolvimento e ao produto. Já em relação ao uso de tecnologias focadas em processo, ocupa a quarta posição (36% de assinalações).

Quando perguntados sobre os benefícios que as empresas esperam conseguir com a adoção de tecnologias digitais, a maior parte dos empresários consultados na pesquisa responde a redução dos custos (54%) e aumento da produtividade (50%). Melhorar a qualidade dos produtos ou serviços foi o item assinalado por 38% das empresas. Em quarto lugar, aparece otimizar os processos de automação (35%).

Para as empresas de grande porte, especificamente, melhorar a qualidade dos produtos ou serviços aparece em quarto lugar, com 39% de assinalações. Os três benefícios mais assinalados pelas grandes empresas focam processo: reduzir custos operacionais, com 63%; aumentar a produtividade, com 58%, e otimizar os processos de automação, com 46%.

Mas para 66% das empresas, o custo de implantação é a principal barreira interna à adoção de tecnologias digitais. Praticamente empatados em segundo aparecem a falta de clareza na definição do retorno sobre o investimento (26% ) e a estrutura e cultura da empresa (24%).

Falta conhecimento

De modo geral, na opinião dos pesquisadores, a indústria brasileira ainda está se familiarizando com a digitalização e com os impactos que pode ter sobre a competitividade. O desconhecimento é significativamente maior entre as pequenas empresas (57%).

Na avaliação da CNI, é preciso aproximar especialistas e indústria para ampliar o conhecimento sobre os ganhos que o país pode ter com a mudança de patamar da indústria.E identificar as aplicações industriais nacionais que podem se beneficiar mais com o avanço tecnológico.

Os pesquisadores consideram ainda que o governo pode contribuir para o aumento da digitalização no Brasil se promover a infraestrutura digital, investindo e estimulando a capacitação profissional e também a criação de linhas de financiamentos específicas.

O documento também considera que a criação de plataformas de demonstração poderia ser uma iniciativa eficaz para estimular a disseminação do conceito de digitalização e o estabelecimento de parcerias entre clientes e fornecedores das novas tecnologias.

Fonte: cio.com.br

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