• Maio de 2018
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"Queremos tornar o luxo mais acessível", diz CEO da Karl Lagerfeld

Em sua primeira passagem pelo Brasil, o alemão com ascendência italiana, Pier Paolo, presidente global da grife Karl Lagerfeld, ficou entusiasmado com o País. Não apenas pelas belas paisagens, como a que ele avistou no Rio de Janeiro, ou em Itacaré, na Bahia, mas, principalmente, pelo grande poder de consumo e interesse em moda que a população tem.

De olho no mercado brasileiro, a marca de luxo enxergou na parceria com a popular Riachuelo um termômetro para sua possível estreia no País no futuro (ainda não definido). Com os números a favor da empresa, que prevê abrir dez lojas em 2016, em locais como Oriente Médio, Ásia e Europa, e o mercado europeu já consolidado, Paolo diz que é apenas questão de tempo para que a marca desembarque de vez por aqui.

Durante sua estada no Brasil, o executivo recebeu a DINHEIRO e falou sobre a parceria com a Riachuelo e a importância de fazer uma moda mais acessível. Leia, a seguir, os principais trechos da conversa:

DINHEIRO – A Karl Lagerfeld é uma das principais grifes que fazem parcerias com marcas de fast-fashion. Qual a importância de parcerias como esta para a marca?
PIER PAOLO – O Karl foi o primeiro designer do mundo de luxo que fez parcerias com marcas do chamado fast-fashion. A primeira foi há uns dez anos, com a sueca H&M, surpreendendo o mundo da moda. Ele quebrou paradigmas e deixou todos chocados com essa inovação, pois se aproximou de outros consumidores, tornando, de certa maneira, o luxo mais acessível. Hoje, muitos designers fazem isso. Ele é muito visionário.

DINHEIRO – No Brasil, o estilista acaba de lançar uma coleção na popular Riachuelo. Qual a estratégia por trás dessa parceria?
PAOLO – O nome Karl Lagerfeld já é muito conhecido aqui no Brasil, então não foi algo para torná-lo mais popular. Nós sempre olhamos para o mercado brasileiro e enxergamos o potencial do País. Queremos tornar o design da marca, de certa maneira, acessível para o público local. A Riachuelo é uma empresa consolidada no País, com clientes fiéis e um bom posicionamento. As negociações foram iniciadas há mais de um ano e a parceria tem dado certo desde seu começo. Eu acredito que a Riachuelo entendeu muito rápido o que o Karl queria. Os dois times também compreenderam muito bem o que a mulher brasileira pode. Acredito que conseguimos colocar essas ideias em prática.

DINHEIRO – Quais são os desafios e diferenças ao lidar com o mercado brasileiro, quando comparado com o europeu, por exemplo?
PAOLO – Aprendemos muito sobre o consumidor brasileiro. Existem muitas diferenças sobre os gostos, principalmente, em relação ao que é fashion. E há sempre uma base inicial para tudo isso. Ao final, eu acredito que a mulher brasileira tem uma específica maneira de se portar e de se enxergar. Ela é muito confiante sobre seu corpo e a maneira como ela se mostra para o outro, e isso é muito bom. E eu acredito que isso deve ser interpretado pelos designers. Temos que trazer o DNA da marca e do designer em uma leitura local do consumidor. Agora, se olharmos para os desafios comerciais e os efeitos que isso poderá trazer, eu acredito que vir para o Brasil tem, sim, alguns desafios. Porque você tem que estar bem posicionado no mercado, criar e produzir localmente, ter uma forte parceria no País. São inúmeros requisitos que você tem que estar atento para ser forte por aqui. Tudo isso não tornará os negócios mais fáceis, porém, ajudará em um futuro.

DINHEIRO – Há intenção de abrir lojas no País, ou vocês pretendem entrar por meio do e-commerce?
PAOLO – No melhor cenário, nós queremos ter uma visão ampla sobre os negócios no Brasil. Ter fortes parcerias com lojas de departamento, desenvolver uma linha focada nos brasileiros, ter modelos de comércio por meio do e-commerce, ter um forte posicionamento de marca e comunicação local. Esse é o cenário ideal. O quão perto estamos disso tudo ainda é muito cedo para dizer. Dependerá do desenrolar da recessão econômica atual. Sabemos que não é um momento fácil para se fazer negócios no País. Enxergamos, porém, o potencial que o mercado brasileiro tem, assim como o enorme interesse em moda por parte dos consumidores locais. Então, estamos muito mais para o “quando” isso acontecerá, do que “se” queremos fazer negócios no Brasil.

DINHEIRO – Se olharmos no longo prazo, o sr. acredita que nos próximos cinco anos poderemos contar com lojas no País?
PAOLO – Definitivamente, acredito que cinco anos é um bom período para analisarmos isso. Se partirmos do pressuposto de que passamos a inaugurar lojas há um pouco mais de três anos. Atualmente, nós temos 16 lojas ao redor do mundo, inauguramos unidades na Coreia nas últimas semanas e temos a previsão de 10 novas lojas para 2016. Então, não descartamos a possibilidade de abrir uma loja no Brasil nos próximos anos.

DINHEIRO – Assim como outras grifes, vocês focarão em shoppings mais “elitizados”?
PAOLO - Nossa entrada no País seguirá a linha de posicionamento da marca. Nós somos uma marca de luxo, mas, como chamamos, um luxo um pouco mais acessível. Então temos que estar situados em meio aos nossos consumidores. Podemos nos colocar ao lado de grifes como Chanel, por exemplo. No entanto, ao mesmo tempo, podemos estar em pontos comerciais um pouco mais acessíveis. Essa questão de acessibilidade é muito importante para nós.

DINHEIRO – Quando o sr. assumiu a Karl Lagerfeld, traçou um novo modelo de negócios. Quais foram os maiores desafios?
PAOLO – Eu sentei com o Karl para entender o que ele queria para a marca. Ele não desejava outra versão da Chanel, ou Fendi. Ele queria trazer os atributos do design para a marca, com peças mais descontraídas. Hoje, contamos com elementos icônicos na marca. Ele não está focado apenas na parte fashion, mas em todo o estilo de vida, como ideias culturais, música. Então, eu busquei compreender qual era o DNA da marca e como colocá-la em prática. Nós aprendemos e erramos, mas conseguimos traçar um bom caminho que pretendemos seguir a diante. Atualmente, trabalhamos em uma parceria com jóias, por exemplo.

DINHEIRO – Quais são os mercados mais importantes para a marca?
PAOLO - Nossos mercados mais importantes são Alemanha e França, onde iniciamos as operações e a construção do nosso negócio. A essência da marca nasceu nessas regiões.

DINHEIRO – Para o futuro, a tendência é ter um aumento nos países emergentes?
PAOLO - No futuro, eu vejo os Estados Unidos mais fortes. Neste ano, demos início a uma campanha muito importante por lá. Há uma parceria com lojas de departamento famosas, como a Bloomingdales. Ainda é difícil prever qual será nosso mercado mais importante no futuro. Pode ser a China ou podem ser os países do Oriente Médio. No entanto, acredito que só teremos isso mais claro nos próximos doze meses. Mas, os Estados Unidos serão um player importante para nós.

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