• Dezembro de 2018
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Consumo nacional deve chegar a R$ 3,9 tri neste ano, diz estudo

Através da análise dos dados entre 2015 e 2016, o estudo IPC Maps mostra que o consumo nacional tem fôlego para chegar a R$ 3,9 trilhões, apostando no crescimento dos gastos dos brasileiros no interior dos Estados, com boa concentração em algumas de suas cidades. Mas, na maioria, se nota ocorrer distribuição descentralizada entre as localidades, como aponta o ranking dos 50 maiores municípios em potencial de consumo.

O fenômeno da interiorização do consumo já é uma realidade que percorre o Brasil, alcançando 70,3% de tudo que será consumido pelos brasileiros em 2016, pouco acima de R$ 2,7 trilhões em gastos, já considerando o atual cenário de retração econômica nacional. Esta análise é resultado da compilação dos dados de potencial de consumo dos municípios do Interior dos Estados, em comparação com o consumo nas Capitais, usando informações do IPC Maps entre 2015 e 2016, feito pela empresa especializada em informações de mercado, a IPC Marketing Editora.

O estudo mostra que esse fenômeno não é novo, e que vem se evidenciando especialmente desde o ano passado quando a movimentação do consumo fora das Capitais bateu os 70%. Atualmente, resta às capitais estaduais 29,72%(correspondendo a R$ 1,16 trilhões) da potencialidade de consumo no País, uma participação que há tempo rendia mais da metade do consumo nacional.

Este processo de interiorização do consumo está afetando também os municípios das regiões metropolitanas das Capitais, pois em 2010 as Capitais e os municípios de suas regiões metropolitanas eram responsáveis por 51,1% do consumo nacional, no ano passado perderam a liderança para os municípios do Interior, pois responderam por 46,0% do consumo brasileiro e, em 2016, serão responsáveis por 45,0% de tudo que será consumido pelos brasileiros.

Com a renda nas mãos do consumidor, os dados analisados pelo IPC Maps indicam não só que a movimentação de recursos evoluiu pelas cidades interioranas, como também o estudo revela o crescimento de novas empresas, fortalecendo a tendência do empreendedorismo no País. De acordo com o responsável pelo estudo, Marcos Pazzini, “este cenário pode contribuir para se traçar um novo horizonte de oportunidades competitivas para a economia, impulsionando o consumo de produtos e serviços”.

Primeiros reflexos - Nesse contexto, segundo o IPC Maps já se verifica um reflexo desse comportamento. Em 2016, por exemplo, o número de empresas ativas chega a 19.069.508 unidades, perante as 18.668.072 empresas instaladas em 2015. Apesar de ser um dos menores aumentos na série histórica do IPC Maps (que vai de 2005 até agora), a evolução foi de 2,2%, maior apenas que o período 2008¬-2009 quando ocorreu uma forte crise mundial. De 2014 para 2015, por exemplo, o crescimento foi de 10,6%.

É de se notar que 69% das empresas instaladas se caracterizam entre microempresas (MEs) e microempreendedores individuais (MEIs), atingindo 13.084.950 unidades.

Se puxarmos uma dimensão no desempenho dos 50 maiores municípios brasileiros em 2016 verifica-se que juntos serão responsáveis por 39,9% = R$ 1,55 trilhão (ante os 40% do ano passado), para um potencial de consumo nacional estimado em R$ 3,9 trilhões. Aqui já considerados uma expectativa de crescimento negativo de 3,3% e um índice de inflação IPCA de 7,43%. Por isso, o valor absoluto é maior que o valor de 2015, mas em termos reais, o crescimento é negativo.

A população registra 206 milhões de pessoas, mais da metade residentes no interior das cidades: 85% localizadas em domicílios urbanos. A renda per capita urbana é de R$ 19.152,89, enquanto a área rural tem uma projeção de R$ 8.301,68.

O estudo IPC Maps se baseia em dados secundários, atualizados e pesquisados através de fontes oficiais de informação como as do IBGE, utilizando metodologia própria, em uso há mais de 20 anos.

Base consumidora - O IPC MPS 2016 indica que o cenário de consumo urbano do País será puxado pela classe B e que responde por 42,9% (cerca de R$ 1,554 trilhão (ainda que no ano passado tenha sido ligeiramente maior ante os exatos 43,2% ou R$ 1,498 trilhão equivalentes), com 23,1% dos domicílios urbanos. Em contrapartida, a classe média (classe C) que mantém os 47,9% dos domicílios brasileiros, movimenta 33,6% do consumo (ou R$ 1,716 trilhão) ante os 33,7% do ano passado. A classe D/E permanece abrigando 26,6% dos domicílios, perfazendo os mesmos 10,2% do consumo de 2015, ou R$ 167 bilhões atualizados. No topo da pirâmide, a classe alta (A) elevou sua participação: dos 13,4% do consumo, correspondendo a R$ 484,5 bilhões, conquistado por 2,4% dos domicílios – em 2015, eram 2,3% de lares.

Em termos globais, a área rural nacional deve responder por um consumo da ordem de R$ 365,5 bilhões.

Cenário Regional – Os reflexos participativos regionais praticamente não se alteraram. A liderança no consumo é marcada pelo Sudeste registrando uma participação idêntica a do ano passado, com 49%. O mesmo ocorrendo com o Nordeste: 19%, e o Centro-Oeste 8,4%. O Sul recuou para 17,6% (no ano passado marcou 17,7%), e o Norte do País subiu para 6% ante os 5,9 registrados em 2015.

Mercados potenciais - O ranking dos municípios permanece com a liderança dos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, seguidos por Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza, com Manaus ultrapassando Goiânia e Recife perdendo posição. Algumas Cidades do interior dos Estados ganham destaque na atual conjuntura como Campinas, Guarulhos e ABCD do Estado de São Paulo, além de outras cidades como São Gonçalo e Duque de Caxias (RJ), Campo Grande (MS), Uberlândia e Contagem (MG), Florianópolis, Blumenau e Joinville (SC), etc.

Geografia da Economia – Dos 19,1 milhões de empresas existentes atualmente, em sua maior parte, 47% se concentram em áreas de Serviços, outros 34% no Comércio, as Indústrias estão com 16% delas, ficando o Agronegócio com 3%. A maior quantidade delas está situada na região Sudeste, onde se encontram 50.30% (ante os 49,70% do ano passado) das empresas brasileiras, totalizando 9.592.806 unidades instaladas. A região Sul desponta em 2º lugar, em queda: caiu para 18,21% (em 2015 eram 18,4%), representando 3.472.376 unidades, onde há maior quantidade de empresas por mil habitantes: há 118 empresas para cada mil habitantes.

A região Centro-Oeste se sobressaiu participando com 8,4%, ante os 8,30%, tendo 102 empresas para cada mil habitantes. No Nordeste, também houve recuo na instalação de empreendimentos: 18,0% (em 2015 reunia 18,3%), contabilizando 60 empresas para cada mil habitantes.

Para onde vão os gastos – Através do IPC Maps é possível detectar tanto o perfil dos consumidores por classes sociais até onde gastam seu dinheiro. Os itens básicos lideram o consumo, como manutenção do lar 26,7% (incorporam despesas com aluguéis, impostos, luz-água-gás); alimentação 17% sendo 11,8% no domicílio e 5,2% fora dele e 1,2% com bebidas ; transportes 7,5%, sendo 4,7% com veículo próprio e transporte urbano 2,8%; saúde, medicamentos, higiene pessoal e limpeza 8,1%; vestuário e calçados 4,6%; materiais de construção 4,5%; seguidos de recreação e viagens 3,3%; eletrônicos-equipamentos 2,3%; educação 2,2%; móveis e artigos do lar 1,9% e fumo 0,5%.

Faixas etárias – No estudo deste ano, o viés do consumidor indica que a sociedade brasileira contará com 206 milhões de pessoas, sendo 174,6 milhões na área urbana. É de se destacar que a faixa etária economicamente ativa, dos 18 aos 59 anos, representa 60% da população, com um universo de 123,6 milhões de pessoas, em quantidades equilibradas entre homens e mulheres. Os idosos, na faixa dos 60 ou mais, já somam 24,9 milhões onde se concentram 55% de idosas. Os jovens e adolescentes dos 10 aos 17 anos chegam a 26,7 milhões. Já a população infantil, de 0 a 9 anos, compreende 30 milhões.

O IPC Maps 2016 permite, ainda, a análise setorial da economia com a apresentação dos segmentos empresariais por localidade segundo o principal ramo de atividade, ou seja, Indústria, Comércio, Serviços e Agronegócios.

Retrato do Brasil em nºs – Além destes destaques, o banco de dados do IPC Maps 2016 possibilita informações através de softwares de geoprocessamento, oferecendo um perfil de cada uma das 5.570 cidades brasileiras e detalhes dos bairros/ distritos de 21 capitais e principais cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza, Belém, Maceió, Natal, Recife, Vitória, Cuiabá, Campo Grande, Florianópolis, Porto Alegre, Manaus, Goiânia, Campinas, São José dos Campos e São José do Rio Preto). Tais cidades contam com a segmentação por ramos de atividade, incluindo quantidade e tipo de empresas, indústrias, serviços (saúde, agências bancárias, educação, etc.) agronegócios, comércio – varejista e atacadista, por exemplo -, além de transmitir informações demográficas e do potencial de consumo da população local.

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