• Novembro de 2017
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Sebrae inaugura Centro de Referência do Artesanato Brasileiro no RJ

Rio de Janeiro - Com investimentos de R$ 40 milhões, o Sebrae inaugura hoje na Praça Tiradentes, Centro histórico do Rio de Janeiro, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), aparelhado para servir de vitrine da produção de qualidade da arte popular brasileira e como local de treinamento e qualificação dos empreendedores do setor. O presidente da instituição, Guilherme Afif Domingos, afirmou em visita às instalações erguidas num conjunto de prédios construídos em 1808 que a iniciativa visa ao reposicionamento do artesanato feito no Brasil no mercado interno e nas exportações. A presidente Dilma Rousseff é aguardada para a solenidade de inauguração, às 18h30.

O CRAB reforça a estratégia montada neste ano pelo Sebrae de apoio ao artesanato como expressão da identidade e da cultura brasileiras, incluindo a realização de feiras nos estados e novas versões do programa Brasil Original, do Sebrae, que consiste na montagem de lojas em shopping centers para a venda de peças selecionadas em todo o país. "É parte da nossa estratégia para reposicionar o artesanato brasileiro no mercado nacional e no exterior para que ele seja objeto de reconhecimento e valorização, inclusive encontrando melhores preços", disse Afif Domingos.

Além de salas de exposições permanentes e de curta duração, o CRAB vai contar com uma loja do programa Brasil Original, proporcionando negócios estimados em R$ 1 milhão por ano. Segundo dados do Programa Brasileiro de Artesanato há mais de 92 mil artesãos inseridos no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (Sicab). Pesquisa realizada em 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou o artesanato como atividade econômica presente em 78,6% dos municípios.

A diretora técnica do Sebrae, Heloísa Menezes, informou que a instituição definiu orçamento de R$ 6 milhões para os trabalhos do CRAB neste ano, além de outros R$ 21 milhões que serão aplicados em 34 projetos de apoio a artesãos. "Nossa intenção é mudar o paradigma do artesanato visto como estratégia de vida de uma população de baixa renda e na informalidade. Queremos que a atividade seja reconhecida como expressão da identidade brasileira e parte do nosso patrimônio simbólico e artístico e requalificá-la", afirmou.

O Rio foi escolhido para abrigar as instalações em três pisos com nove salas de exposição ao todo, segundo o presidente do Sebrae, em razão de ser porta de entrada importante de turistas no Brasil. Será realizado um esforço de divulgação do centro de referência, aproveitando também a realização das Olimpíadas. O empreendimento será aberto ao público no dia 22, com acesso à exposição de inauguração "Origem Vegetal: a biodiversidade transformada", que apresenta cerca de 800 peças elaboradas por artesãos de 27 estados. O tema são os objetos feitos com matérias-primas de origem vegetal, derivados de plantas e árvores, a exemplo de madeiras, palhas, fibras, sementes e resina.

MINAS GERAIS

A produção mineira está representada em peças decorativas confeccionadas com bagaço de cana de açúcar, de Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro; artesanato em fibra de bananeira, de Capitão Enéas, no Norte do estado, e de Maria da Fé, no Sul. A exposição, que poderá ser vista até 24 de setembro, mostra, ainda, a produção e o tingimento natural de tecelagem de Bonfinópolis de Minas, Natalândia, Riachinho, Sagarana e Uruana de Minas, região conhecida como Polo Veredas, no Noroeste do estado. Para os 15 artesãos que formam a Cooperativa Mariense de Artesanato Gente de Fibra, de Maria da Fé, a oportunidade vai além do reconhecimento da qualidade. A diretora comercial da cooperativa, Érica Campos, diz que a oportunidade é de extrema importância para a divulgação e venda dos trabalhos.

"O que torna as nossas peças um artesanato de destaque é a sustentabilidade na sua produção e a identidade da nossa região, trabalhadas em seus detalhes, retratando nossas montanhas", afirma. Os artesãos de Maria da Fé vendem a maior parte das cerca de 200 peças confeccionadas todo mês em São Paulo, Minas Gerais e no Rio de Janeiro. As exportações, contudo, são raras,ante o custo alto de embarcar as peças, segundo Érica. Trabalhos já foram exportados para Argentina, Portugal, Itália, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, Canadá e China.

Em Conceição das Alagoas, a Associação de Artesãos Garimpo das Artes, tem esperança de que a maior divulgação dos trabalhos feitos em papelão e bagaço de cana de açúcar ganhem mercado pelo Brasil e no exterior. A presidente da associação, Deides das Graças Tomaim, diz que os artesãos chegaram a exportar, mas sem regularidade, para Itália, Inglaterra e Estados Unidos. "Temos muito amor nesse trabalho e ficamos esperançosas de que ele sobressaia", afirma. O grupo é formado por 10 mulheres, de jovens a idosas, que complementam a renda com a atividade.

*A repórter viajou a convite do Sebrae.

Fonte: www.em.com.br

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