• Agosto de 2018
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Para fugir da inflação, brasileiros retomam velhos hábitos de consumo

A alta inflação brasileira está fazendo as famílias retomarem velhos hábitos de consumo. As compras mensais — prática muito comum na década de 1980 e início dos anos 1990 — voltaram com tudo. Estocar mercadorias, principalmente alimentos não perecíveis, passou a ser a opção de donas de casa preocupadas com o orçamento doméstico. Tanto é assim, que as vendas dos supermercados estão se concentrando nos primeiros 15 dias do mês. Na segunda quinzena, em média, o movimento nas lojas chega a cair 70%. “Assim que meu pagamento sai, corro para o supermercado. Estoco tudo o que posso, de comida a produtos de limpeza. Assim, não corro o risco de ficar sem comida quando o dinheiro acabar”, diz a aposentada Suzana Santos Silva, de 67 anos.

As compras de mês se intensificaram a partir do segundo semestre do ano passado, quando as famílias sentiram todo o baque no orçamento provocado pela forte alta das tarifas públicas, sobretudo as de energia elétrica. “De repente, o dinheiro começou a faltar. Passou a sobrar mês”, critica a nutricionista Ângela Maria, 47. Temendo ficar com a despensa vazia por falta de recursos e da elevação de preços, ela encurtou as idas aos supermercados.

Primeiro, as compras quase que diárias se tornaram semanais. Depois, quinzenais. “Agora, compro tudo o que a casa precisa de uma única vez. Só volto outra vez ao supermercado no mesmo mês em caso de muita necessidade ou se encontrar boas promoções”, relata Ângela. Pelos cálculos da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que acompanha o movimento do principal centro consumidor do país, 40% do volume de vendas do setor estão concentrados nos 10 primeiros dias do mês.

Aos poucos, diz o gerente do departamento econômico e de pesquisas da Apas, Rodrigo Mariano, está se voltando ao quadro que prevalecia antes do Plano Real, quando de 60% a 70% das vendas se concentravam nos primeiros 10 dias. “É bem provável que o movimento se aprofunde ao longo do tempo, se a inflação não cair”, avalia. “A alta dos preços é muito ruim para os consumidores, sobretudo os mais pobres”, emenda. Em 2015, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu 10,67%, a maior em 13 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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