• Novembro de 2017
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Indústria gaúcha tem menor intenção de investir em seis anos

A proporção de empresas da indústria gaúcha que investiu em 2015 foi de 70%, patamar mais baixo de toda a série histórica, iniciada em 2010, segundo a pesquisa Investimentos da Indústria do Rio Grande do Sul, divulgada nesta quarta-feira (27) pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). O estudo ouviu 216 empresas, sendo 27 pequenas, 33 médias e 157 grandes.

A incerteza econômica (80,9% das respostas), a reavaliação da demanda e a elevada ociosidade (54,4%) foram os principais obstáculos para a realização dos investimentos em 2015. O custo do crédito também foi apontado como entrave por 35,3% dos entrevistados.No ano anterior, este problema foi indicado por 15% das empresas.

"Por um lado, a situação econômica fez com que as linhas de financiamento se tornassem mais escassas. Por outro, a retirada de incentivos fiscais e os reajustes em insumos importantes para a produção, como energia elétrica e combustível elevaram os custos do setor”, disse em nota o presidente da Fiergs, Heitor José Müller, ao avaliar a pesquisa.

Somente 46,7% conseguiu realizar os investimentos programados para o ano, número que também é o mais baixo já registrado. Para 50,4% a efetivação dos projetos foi parcial, enquanto 0,7% transferiu os investimentos para 2016 e 2,2% adiou ou cancelou os planos.

As aquisições de máquinas e equipamentos, que viabilizam o aumento da capacidade produtiva das indústrias também foram afetadas e recuaram de 92,2% em 2014 para 87,9% em 2015. Os resultados acompanham o quadro de deterioração da economia e os níveis de confiança historicamente baixos do empresariado.

O estudo mostra ainda que a maior parte das empresas (66,3%) utilizou recursos próprios para os investimentos, o maior percentual em seis anos de pesquisa. Outras fontes de financiamentos foram: bancos oficiais de desenvolvimento (15,7%), bancos comerciais privados (7,8%) e públicos (7,4%).

Em relação às perspectivas para este ano, as expectativas se mantêm desfavoráveis. Para 37,9% dos entrevistados, a capacidade produtiva é mais do que suficiente para atender a demanda de 2016. Já 54,7% avalia sua capacidade como suficiente, enquanto apenas 7,5% julgam pouco suficiente sua capacidade para atender a procura esperada para o ano. Em 2015, 11,3% das empresas indicavam falta de capacidade instalada.

O cenário econômico nacional desfavorável e a falta de confiança dos empresários no futuro dos negócios impactaram na intenção dos investimentos para 2016. Das empresas entrevistadas, apenas 59,9% pretendem realizar investimentos, um novo recorde negativo da série histórica. Os recursos serão utilizados principalmente para dar continuidade a projetos anteriores (73,5%). Já a intenção de investir em novos projetos foi citada por 26,5% dos entrevistados.

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