• Julho de 2018
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Indústria têxtil de SC começa 2016 com mais de 500 demissões

O ano não começou bem para o setor têxtil em Santa Catarina. Depois de um 2015 com uma série de impactos — foi responsável por fechar 10 mil das 36 mil vagas perdidas na indústria de transformação estadual, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário — o fechamento de duas unidades em janeiro, uma da Companhia Hering e uma da Malwee, corta mais 528 empregos. Reflexos da crise econômica e de uma reorganização das empresas para diminuir custos operacionais.

– E em 2016 o setor deve demitir mais do que 10 mil em Santa Catarina – diz Ulrich Kuhn, presidente do Sintex, lembrando que no país como um todo o setor têxtil fechou mais de 100 mil vagas.

O cenário negativo é resultado de uma combinação de fatores. A incerteza da economia no ano leva as companhias a reavaliarem suas fábricas de menor capacidade de produção. Diante da necessidade de cortes de custos, as empresas preferiram desativar unidades mais antigas e manter a produção em regiões de menor gasto com mão de obra — como as novas fábricas construídas nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, uma migração que já vem ocorrendo nos últimos anos.

De acordo com Kuhn, um dos poucos benefícios do ano é o fato de que o câmbio está reduzindo a entrada de importados, pela alta do dólar, em especial o vestuário de menor custo produzido na Ásia. Após 11 anos de alta nas importações desses produtos, 2015 fechou estável e é esperada uma queda em 2016.

– A indústria pode se beneficiar do maior espaço no mercado nacional, mas isso levaria a uma diminuição da piora, não a uma melhora – diz o presidente do Sintex, destacando que a entidade não tem notícia de que mais nenhuma outra grande fábrica vá ser fechada.

Os impactos pela queda de movimento no setor não se restringem apenas às grandes companhias. Acabam sendo ainda maiores nas micro e pequenas empresas. Enquanto Hering e Malwee garantem que mantêm sua capacidade produtiva, apenas realocando produção e funcionários, algumas menores foram obrigadas a abandonar a atividade.

– Em Apiúna tivemos o fechamento de uma tinturaria com mais de 90 empregados e agora, no início do ano, uma fábrica de costura com mais 40 funcionários. A situação é preocupante e a gente não sabe se isso vai melhorar – diz Ivoni Macobpi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rodeio, Ibirama e Apiúna.

O sindicato está acompanhando o caso das demissões em Ibirama e espera ver todos os direitos trabalhistas respeitados. O pagamento aos ex-funcionários é esperado para o início de fevereiro. Em outro caso recente, no final de 2015, quando a Hering encerrou as atividade de uma fábrica em Rodeio, as rescisões foram quitadas corretamente.

Presidente do Movimento Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC), que trabalha pela agregação de valor nos produtos da indústria têxtil do Estado, Claudio Grando, prega que em momentos como esse há dois posicionamentos a serem seguidos: agir em conjunto para somar esforços no sentido de cobrar melhores condições por parte do governo e, em outra ponta, buscar o fortalecimento da moda produzida com mais design e materiais elaborados, para que as pessoas reconheçam o produto daqui como de qualidade.

— Estamos vivendo uma crise política que se estendeu para a economia. Precisamos de simplificações dentro do chamado custo Brasil. E a gente percebeu, dentro da SCMC, que quem investiu em produtos básicos teve mais dificuldade do que quem investiu em design diferenciado — explica Grando, também sócio-diretor da empresa Audaces, que atua no fornecimento de maquinário para automação dentro da indústria têxtil.

Exportações em alta

Apesar de ainda representaram uma pequena parte do mercado têxtil estadual, as exportações de Santa Catarina ultrapassaram São Paulo no acumulado de 2015. As empresas do Estado fecharam o ano com vendas de US$ 41,6 milhões contra US$ 39,3 milhões das companhias paulistas, que lideravam até 2014.

As exportações são vistas como uma oportunidade para o setor, mas envolvem um trabalho continuado para se tornarem alternativa viável de negócio no longo prazo, explicam os especialistas consultados. Na década de 90, por exemplo, empresas catarinenses chegavam a exportar até 50% da sua produção. Hoje esse número é menor que 5%, de acordo com o Sintex.

– Santa Catarina foi o Estado que mais cresceu na indústria de confecção nos últimos cinco anos e várias empresas daqui estão olhando centros consumidores de alto valor agregado, como Europa e Estados Unidos – afirma Grando, destacando o período de bonança fora da crise atual e as possibilidades presentes para contornar as dificuldades internas.

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