• Junho de 2018
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Grande ABC: Supermercados do deixam de faturar R$ 121 mi em 2015

Pesquisa divulgada ontem pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) mostra que, entre janeiro e agosto de 2015, os supermercados do Grande ABC faturaram R$ 121 milhões a menos do que no mesmo período do ano passado, o que representa queda real (já descontando a inflação) de 1,8% ante 2014. O levantamento foi feito com base em dados da Secretaria Estadual da Fazenda.

Nos oito primeiros meses do ano passado, o setor faturou R$ 6,160 bilhões. Esse valor chega a R$ 6,681 bilhões se corrigido mensalmente pela inflação. Entre janeiro e agosto de 2015, o volume real de vendas caiu para R$ 6,560 bilhões. Considerando que de janeiro a agosto foram somados 243 dias corridos, os R$ 121 milhões a menos no faturamento representam perdas diárias de quase R$ 500 mil.

O assessor técnico da FecomercioSP Guilherme Dietze avalia que a situação é preocupante, já que supermercados e farmácias – por trabalharem com itens de primeira necessidade – costumam ser os últimos setores afetados pela crise. Isso porque, num primeiro momento, as famílias cortam do orçamento produtos considerados supérfluos. No segmento de drogarias e perfumarias, a queda no ano foi de 7%. “Esses números mostram a gravidade do cenário atual da economia do País”, lamenta.

Levando em conta a variação entre agosto ante o mesmo mês de 2014, houve pequena alta, de 0,2%, no setor de supermercados. Dietze salienta que ainda não é possível falar em recuperação do setor. “De 2013 para 2014 houve queda de 1,1%. Ou seja, a comparação é feita com uma base fraca e, ainda assim, o desempenho foi de estabilidade.”

Vice-presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), o deputado estadual Orlando Morando (PSDB) reconhece que as empresas do ramo demoraram mais para sentir a crise. “Mas sabíamos que não iríamos ficar de fora. A situação, inclusive, deve piorar ainda mais em 2016. Isso porque os trabalhadores demitidos neste ano, principalmente no segundo semestre, ainda têm alguma reserva financeira, seja pela indenização recebida ou pelo seguro-desemprego. Quando esse dinheiro acabar, as consequências serão mais graves, já que os gastos no comércio irão diminuir.”

Morando explica que, na atual conjuntura, as famílias ainda não pararam de frequentar os supermercados. Entretanto, mudaram os hábitos de consumo. “As pessoas não deixam de comer, mas começam a procurar mais pelos chamados itens de segunda linha. Além disso, interrompem as compras de iogurte, frios e requeijão, por exemplo.”

O comércio varejista como um todo no Grande ABC registrou faturamento de R$ 2,406 bilhões em agosto, queda de 10,1% em relação ao mesmo período de 2014 e aumento de 0,3% ante julho. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, a retração é de 5,9%.

Os segmentos que mais impactaram na diminuição do volume total de vendas foram os de concessionárias de veículos (-13,8%) e eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamento (-13,3%). As lojas desses ramos de atividade são mais afetadas pela restrição ao crédito, já que comercializam produtos de valor mais elevado. Os estabelecimentos que trabalham com vestuário, tecidos e calçados apresentaram recuo de 9% no faturamento entre janeiro e agosto.

Para Dietze, diferentemente do que é tradicionalmente observado, o fim do ano não deverá representar melhora nas vendas. “O Natal, por si só, não é gerador de renda. Quem é responsável por isso é o 13º salário. Entretanto, a injeção desse adicional será menor devido ao aumento do desemprego. Além disso, grande parte das pessoas irá utilizar esse dinheiro para pagar dívidas.” Ele não acredita na possibilidade de melhora na situação antes do segundo semestre de 2016.

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