• Novembro de 2018
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Vistas com curiosidade, lavanderias self service ganham espaço no Brasil

Sempre vistas em filmes americanos, as lavanderias self service ainda são consideradas novidade no mercado brasileiro. Embora não tenha estimativas sobre os números desse segmento no país, a Associação Brasileira de Lavanderias (Anel) aponta que o baixo custo de investimento e a inovação do modelo fez com que essa modalidade crescesse nos últimos cinco anos.

“Foi feito um grande esforço para a implantação deste tipo de lavanderias há 20 anos, (...) mas das muitas que abriram, a maioria fechou. Recentemente, de cinco anos para cá, uma nova investida vem sendo feita. É um novo ciclo, num mercado diferente de 20 anos atrás”, afirma Othon Barcellos, presidente da Anel.

Para Barcellos, o que deu errado nos empreendimentos que abriram duas décadas atrás foi o alto custo para manter uma lavanderia de autoatendimento, mas hoje há uma demanda real para esse serviço. “Lavar roupas em casa já é um autosserviço. Portanto essas lavanderias são como a extensão do que se faz em casa”, explica.

O surgimento de franquias de lavanderias self service facilitou no crescimento da modalidade, com empresários que se mostraram dispostos a apostar no modelo. “Eu passei um tempo na Califórnia e lá esse modelo de lavanderias automáticas é muito popular”, conta Alexander Porto, que abriu uma franquia da rede Prima Clean há 7 meses na região da Avenida Paulista, em São Paulo.

O investimento inicial em uma franquia dessa rede é de R$ 200 mil (somando taxa de franquia e capital de giro), com previsão de retorno em até 36 meses. Quando foi abrir o negócio próprio, Porto já sabia que seria uma lavanderia, mas tinha dúvidas sobre adquirir uma franquia. A assistência oferecida foi um dos fatores decisivos.

Outro novato no ramo de lavanderias self service é Fernando Simas, que há seis meses abriu uma franquia da rede Laundromat dentro de um supermercado na zona norte do Rio de Janeiro. “Eu queria investir em novo empreendimento, começamos a analisar os modelos de negócio e eu achei que [lavanderia de autoatendimento] tinha a ver com a tendência do mercado, porque as pessoas estão tendo um custo maior com domésticas e as casas estão cada vez menores”, conta Simas.

Abrir uma lavandeira da rede Laundromat custa entre R$ 115 mil a R$ 315 mil, contando o capital de instalação e de giro, além da taxa de franquia. Tendo em mente o quanto poderia gastar para abrir o próprio negócio, André Volpe abriu uma lavandeira da rede há um há um ano e cinco meses na Vila Madalena, em São Paulo.

“Eu era usuário desse tipo de lavandeira há cinco anos e comecei a prestar atenção no movimento que ela tinha e fiquei interessado”, lembra Volpe. O empresário não sabia da existência de franquias self service e escolheu adquirir uma pela possibilidade de um público diversificado. “Minha loja tem máquinas de autosserviço e é uma lavanderia tradicional ao mesmo tempo. Tenho clientes que trazem a roupa da família toda e aqueles que, semanalmente, só utilizam o autoatendimento”, afirma.

Mudança de hábito

Embora pareça atraente, é preciso ter cautela antes de investir no modelo self service de lavanderias. “É um mercado bem enigmático. Já teve outras ondas desse tipo de negócio no Brasil e, em momentos anteriores, isso não deu certo”, afirma Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo da Insper.

Para Nakagawa, lavar roupas em casa já é um costume brasileiro e seria necessária uma mudança de hábitos para que as lavanderias de autoatendimento emplacassem. “O empreendedor está apostando fortemente numa mudança de atitude que já é um costume nos Estados Unidos, onde os jovens lavam suas roupas nas lavanderias das universidades e já levam isso para o resto da vida”.

Com a dificuldade de penetração no mercado brasileiro, Nakagawa afirma que arriscar investir no setor é uma incógnita, mas que há chances de dar certo. “Esse mercado exige uma disciplina, já que a mudança do hábito brasileiro [de lavar roupas em casa] é difícil. Mas, por outro lado, o brasileiro se adapta bem [a novos serviços], como os aplicativos de táxi, por exemplo”, esclarece o especialista.

Para quem quer se aventurar em um empreendimento desse tipo, Nakagawa destaca que o importante é apostar num diferencial adaptado à realidade dos clientes. “A lavanderia tem que oferecer serviços para que a pessoa se entretenha. Enquanto espera a lavagem terminar, tem que ter alguma coisa além da revista, como wi-fi”, afirma. Criar programas de fidelidade e indicação de amigos também estão entre as dicas do professor.

Em São Paulo, a crise da água também pode ser usada como forma de fidelizar clientes. “Os novos empreendedores precisam bater muito na tecla da sustentabilidade, para trazer um novo público que tenha consciência para a questão da água”, afirma Nakagawa.

(*Sob supervisão de Laura Naime)

Fonte: G1

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