• Novembro de 2018
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Brasileiro vira rei da pechincha para driblar a recessão

Em meio à recessão econômica, inflação e desemprego em alta e salários em queda, o comportamento do consumidor deu uma guinada. De acomodados e até mesmo esnobes, os brasileiros se transformaram nos heróis da pechincha. As novas formações familiares, nas quais o casal com filhos deixou de ser o modelo único, e a necessidade de enfrentar questões climáticas com práticas sustentáveis também mudaram a percepção de consumo, assim como a exigência por transparência e justiça nas relações comerciais. É o que aponta pesquisa realizada pela Mintel, agência de inteligência de mercado, e que tem como foco as tendências de consumo para 2016.

Para a analista de Tendências da Mintel, Graciana Méndez, o levantamento apurou mudanças de comportamento, prioridades e novos hábitos para chegar às quatro principais direções que impactarão o mercado brasileiro no próximo ano, incluindo as implicações para os consumidores e as marcas. “Heróis da pechincha”, “Sede por mais”, “Ocupe Brasil” e “Famílias alternativas” são as quatro tendências identificadas pela empresa de pesquisa que pautarão os negócios no próximo ano.

A forma como os brasileiros vivem juntos evoluiu significativamente. Novas dinâmicas domésticas desafiam ideias estereotipadas – relacionadas a gênero, idade e etnia – sobre a definição de família. Como as pessoas hoje em dia vivem mais, os idosos trazem novas exigências às famílias. À medida que mais mulheres se juntam à força de trabalho e os homens se envolvem com tarefas domésticas e de cuidados às crianças, surge uma nova compreensão do significado dos gêneros. “Nós também estamos vendo mudanças na definição de casamento, para que seja mais inclusivo da comunidade LGBT. Ao mesmo tempo, o crescente número de animais de estimação atinge um novo patamar entre as famílias brasileiras”, enumera Graciana.

“Desde 2009, o modelo casal com filhos vem perdendo espaço nas composições familiares. Hoje não são mais de 50% como antes”, destaca Maurício de Almeida Prado, sócio-diretor da Plano CDE. Cresce o número de domicílios com uma pessoa só ou com idosos como arrimo de família, o que obriga novas práticas de consumo. “As empresas têm que se adequar para atender a essa nova família”, diz. Para a Mintel, essa nova abordagem familiar gerou, por exemplo, efeito na indústria de rações para animais domésticos, que deve crescer 6,5% em 2016.

Barganha Para driblar a recessão, Graciana diz que os consumidores brasileiros estão explorando modelos de compra alternativos, como compartilhamento e permuta, e assim aproveitar alguns pequenos prazeres da vida. “Alugar um quarto na casa de alguém nas férias ou roupas de grife permite por exemplo, que se desfrute de alguns luxos sem precisar gastar uma grande quantia de dinheiro”, diz a especialista. Na opinião de Prado, o brasileiro já tinha o know how de pechinchar, mas agora ele voltou potencializado porque o consumidor está mais informado, mais conectado.

Outra mudança no consumo – tendência denominada Sede de Mais na pesquisa da Mintel – também foi provocada pela crise, neste caso, da hidrologia. Com a grave seca e as questões climáticas, os consumidores começam a descobrir que a adoção de práticas sustentáveis pode ajudá-los com suas finanças. “A falta de água e o aumento da conta de energia obrigaram os brasileiros a buscar produtos mais eficientes”, explica Graciana.

Tendências

Grandes grupos foram identificados e devem pautar os negócios em 2016

Heróis da pechincha

A inflação e a queda na renda mudaram o comportamento dos consumidores brasileiros

» Modelos de compra alternativos, como compartilhamento, aluguel e troca, devem ser mais explorados
» Alugar quarto na casa de alguém nas férias ou roupas de grife permitem
manter pequenos luxos sem gastar muito
» Esquemas como “pague o que quiser” estão em expansão em
restaurantes de Rio e São Paulo
» Bares permitem que o consumidor leve comida de casa ou peça em food trucks

Sede por mais

A recessão acelerou a simpatia dos consumidores pela ecologia, já que sustentabilidade se traduz em economia

» Depois da seca e problemas climáticos, brasileiros adotam práticas
sustentáveis para ajudar nas finanças]
» Produtos mais eficientes são mais procurados para economizar água e luz
» O comportamento abre espaço para empresas que exploram a reciclagem

Ocupe Brasil

Hoje, consumidores denunciam desde a escassez de água à corrupção, e o abuso das contas públicas e da carestia

» As marcas estão se ajustando à busca por práticas mais justas
» Brasileiros preferem as companhias que são fiéis à sua mensagem
e que defendem os direitos dos consumidores
» Credibilidade é um valor muito importante; portanto, a transparência
de uma empresa é um diferencial atrativo
» Corporações engajadas socialmente são mais bem vistas

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