• Dezembro de 2018
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Moda paranaense ganha destaque nacional no setor têxtil, diz sindicato

A moda paranaense tem ganhado destaque no cenário nacional do setor têxtil por meio do trabalho de estilistas e designers de moda. Somente o sudoeste do Paraná congrega cerca de 400 indústrias em 32 dos 42 municípios da região, conforme o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar).

A região possui mais de 10 mil trabalhadores formais no setor. O dia a dia dos profissionais que trabalham com moda é o assunto desta quinta-feira (29) da coluna Vestiba do Paraná TV.

Segundo a consultora do Sinvespar Solange Stein, o mercado da moda no sudoeste teve origem com a chegada dos imigrantes italianos. "As primeiras indústrias surgiram a, aproximadamente, 38 anos a partir dos alfaiates. Atualmente, a moda do sudoeste do Paraná é reconhecida e referência no sul do país", disse.

Solange explicou ainda que o carro-chefe desta região do estado é a moda masculina. "Desde a moda íntima até o black-tie. Hoje, dos 18 milhões de peças produzidas no ano, 75% vem da área masculina. Então, o setor é muito forte e muito presente", afirmou.
A designer de moda Naiara Mazetto trabalha no setor de desenvolvimento e marketing de uma indústria de moda masculina em Francisco Beltrão, na região sudoeste do estado. Ela explicou que, nesta época, as empresas se preparam para o lançamento da coleção de inverno do ano que vem.

"Estamos na produção da campanha da nova coleção. Devemos pensar em algo que seja realmente capaz de ser produzido e que o mercado consiga absolver. Não apenas uma coleção conceitual, como aquelas que são apresentadas nas passarelas, mas uma coleção comercial", contou.

Para a estilista Mônica Macente, que se formou em Moda em 2009 na Universidade Estadual de Maringá (UEM), o trabalho do estilista envolve sensibilidade e tato comercial.
"Todo desenho, toda peça conta uma história. Então quando eu desenho um vestido, tenho que pensar o que quero atingir com essa criação e pensar também na cliente final, que vai usar essa peça", disse.

Mônica trabalha com moda há oito anos em um grupo que está entre os cinco maiores do país. A estilista contou como funciona o dia a dia da profissão. "O trabalho é feito a quatro mãos, pelo estilista e pelo modelista, que precisa acreditar naquilo que você desenhou. Afinal, muitas vezes o que você pensou e idealizou pode passar por um contratempo no meio do caminho. Essas mudanças podem, inclusive, melhorar a peça", afirmou.

Remuneração

Na cidade de Cianorte, na região noroeste do Paraná, existem mais de mil marcas de roupas. O empresário representante da Associação das Indústrias de Confecção dos Vestuários de Cianorte (Asconveste) Márcio Alves Ferreira falou sobre o salário de um profissional do ramo. "Esse trabalhador começa em estágio, onde a remuneração é de R$ 1.500. Na sequencia, ele pode chegar a ganhar de R$ 3 a 10 mil por mês", ressaltou.

Formação

Para a designer Naiara Mazetto, o pensamento de que o curso de moda gira em torno do glamour das passarelas é ultrapassado.

"Tem muitas pessoas que entram na faculdade achando que é só desfile, glamour e São Paulo Fashion Week (SPFW), mas não é. O glamour, na verdade, fica para poucos e para uma pequena porcentagem. O resto é muito trabalho", disse.

A estilista Mônica Macente defende o curso e afirma que o trabalho do profissional de moda envolve e abrange muitas áreas. "Não é uma faculdade fútil, como muitas pessoas pensam. 'Ah, não tinha o que fazer, foi lá e fez moda', isso não é verdade. Aliás, é um curso muito complexo, que envolve muita matemática e gestão. No caso do estilista, a gente não tem rotina. Todos os dias quando você chega no trabalho é um mundo diferente ao seu redor e você precisa resolver várias coisas", contou.

O ideal para quem quer adquirir uma bagagem de experiências na área, é passar por todos os setores, inclusive a modelagem e a costura. É isso que aconteceu com a estilista Marina Moresco, que está no ramo a seis anos. Ela contou que foi crescendo aos poucos.
"Entrei na empresa como estagiária, fui pra assistente de estilo, depois passei para estilista jr. e, finalmente, pra estilista. Ter evoluído e passado por todos os cargos, com certeza, me trouxe uma experiência enorme, pois quanto mais informação se tem, mais a criatividade se aflora", disse.

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