• Outubro de 2017
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Volume de vendas no varejo restrito voltou a níveis de 2012, afirma Tendências

As vendas do comércio varejista em agosto foram ruins em todos os segmentos que compõem a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e, no âmbito do varejo restrito, a queda de 3,0% no volume de vendas no acumulado do ano já fez o segmento retroceder a níveis de 2012, segundo o economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada.

"Nos oito meses de 2015, dois anos de crescimento foram jogados fora", comentou. Na avaliação do especialista, o processo de reversão do crescimento do setor tem sido "muito forte em 2015" e deve se estender ao longo de 2016. "Até o ano que vem, vão ser de três a quatro anos de retrocesso em termos de volume de vendas para o varejo", disse Baggi, ao comentar os resultados do levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira (14).

No segmento de veículos e motos, partes e peças, a queda acumulada no volume é ainda mais intensa e voltou ao nível mais baixo desde 2009, destaca o economista. "Quando se olha apenas para os veículos novos, o retrocesso é de dez anos. O índice geral do segmento só não piorou mais porque considera também veículos usados, autopeças e acessórios", afirmou.

Segundo ele, com a crise, a opção por fazer reparos em carros usados em detrimento da venda de veículos novos aumenta em consequência da redução da renda disponível das famílias.

A análise da receita do setor também mostra uma situação ruim para os comerciantes. Segundo o IBGE, no varejo ampliado, que considera veículos e construção, a queda na receita nominal foi de 2,5% entre agosto de 2014 e agosto de 2015.

No âmbito restrito, ainda há variação positiva, de 1,1%, mas sem considerar a inflação no período. "É claro que os deflatores de cada um dos segmentos pode ser um pouco mais brando que o IPCA (que acumula alta de 9,53% nos 12 meses até agosto), mas certamente a receita real do setor está negativa", afirmou Baggi.

O especialista ressalta ainda que a queda de 0,9% nas vendas do varejo restrito em agosto deve levar a um corte na atual projeção da Tendências para o resultado de 2015, atualmente de recuo de 4,1%. "Se a atual situação ficasse estagnada até o fim do ano, a retração já seria de 4,3%, mas não há nenhum indício de que haja estancamento desse processo", afirmou.