• Outubro de 2017
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Chance de varejo acumular 2 anos de queda em vendas aumenta a cada mês, diz CNC

As chances de o varejo acumular dois anos de retração, em 2015 e 2016, aumentam a cada mês, afirmou o economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Diante da sexta queda consecutiva nas vendas em julho, a entidade revisou sua projeção para este ano de -2,4% para -2,9% e não descarta novo recuo no ano que vem.

"Como não esperamos mudança muito drástica da conjuntura no ano que vem, principalmente no primeiro semestre, a chance de repetir um resultado ruim aumenta. Com o dólar sacramentado acima de R$ 3,50, não vejo condição de recuperação no curto prazo. Então, o comércio dificilmente vai escapar de uma queda em 2016", afirmou Bentes.

A entidade ainda não fechou uma estimativa para 2016 em porcentuais, mas a avaliação é de que o cenário de crédito caro, aumento do desemprego e queda na renda deve continuar atrapalhando a evolução do varejo. "O que faz a diferença mesmo é o ritmo de contratações, e neste ano devemos ter demissões líquidas de 1,1 milhão, considerando postos formais na indústria, nos serviços e no comércio", explicou Bentes.

Os dados de julho divulgados nesta quarta-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxeram novidades ruins, como o Nordeste, antes resistente à crise no consumo, com queda de 3,8% nas vendas em julho ante julho de 2014, acima da média nacional no período (-3,5%). A pior região é o Centro-Oeste, com perda de 5,5%.

Diante das constantes revisões de estimativas, sempre mais pessimistas, o economista da CNC já vê possibilidade de que a queda em 2015 se iguale ou supere a retração de 3,7% nas vendas vista em 2003 (até hoje a maior queda na série da Pesquisa Mensal do Comércio, iniciada em 2000). "Não vejo chance de trajetória de recuperação. É só número ruim que vem pela frente", afirmou Bentes.

"A probabilidade maior é que não repita 2003, mas, se acontecer alguma coisa - e temos tido várias surpresas negativas neste ano -, corremos o risco de repetir 2003", reconheceu.