• Setembro de 2018
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57% dos brasileiros alteraram hábitos de consumo em função da crise

Pesquisa feita pela CNI com 2.002 pessoas em todo o país mostra como o momento econômico está afetando a vida da população. Dois em cada três entrevistados consideram a situação do Brasil ruim ou péssima.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as turbulências econômicas estão afetando a vida da população brasileira. Para 86% dos entrevistados, o Brasil está vivendo uma crise econômica e 66% consideram a situação ruim ou péssima. Sentindo no bolso as consequências - 59% disseram ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses - as pessoas estão fazendo ajustes em suas vidas. O estudo mostra, por exemplo, que 16% das pessoas mudaram de residência para reduzir custos e 13% trocaram os filhos de escola privada para escola pública nos últimos 12 meses. O levantamento da CNI ouviu 2.002 pessoas, em 141 municípios, entre os dias 18 e 21 de junho.

Segundo a pesquisa, mais brasileiros estão ajustando seus hábitos do que na crise de 2008/2009. Mais da metade (57%) alterou hábitos de consumo ou planejamento financeiro. E outros 21% disseram que pretendem alterar. Na crise anterior, o maior percentual dos que ajustaram seus hábitos foi de 30% e no máximo 27% pretendiam alterar.

"A crise de 2008/2009 afetou particularmente a indústria, mas o consumo doméstico ainda estava em crescimento e ajudou na recuperação. Já a crise atual atinge toda a economia e vem afetando o emprego e a renda da população bem mais significativamente. Tanto o investimento como o consumo das famílias estão diminuindo. Além disso, a crise política, que não existia na crise anterior, tem aumentado a incerteza com relação à recuperação", afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

MERCADO DE TRABALHO - O desemprego está batendo à porta da população. Um total de 44% das pessoas disse que alguém da família ficou desempregado nos últimos 12 meses. E 76% estão preocupados ou muito preocupados em ficar sem emprego ou ter que fechar o negócio nos próximos 12 meses. Quanto menor a renda, maior o medo. Entre os que possuem renda familiar de até um salário mínimo, 67% estão muito preocupados. No outro extremo, entre os que possuem renda acima de cinco salários mínimos, o percentual cai para 54%.

Quase metade da população (48%) buscou trabalho extra no último ano. Em setembro de 2013, o percentual era menor, de 25%. Os que possuem salários menores também são os que mais recorrem a um segundo trabalho para complementar a renda. Os dados mostram que 58% dos que ganham até um salário mínimo buscaram trabalho extra, contra 36% dos que têm renda acima de cinco salários mínimos.

Em 40% das famílias, pessoas que não trabalhavam tiveram que entrar no mercado de trabalho para colaborar com as contas da casa. E 24% das pessoas voltaram a estudar com medo de ficar desempregadas. O volume é maior entre os que possuem ensino superior (30%). Na outra ponta, 15% dos que estudaram até a quarta série do ensino fundamental voltaram a estudar.

RENDA E ENDIVIDAMENTO - Seis em cada dez brasileiros disseram ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses. Os moradores das regiões Sudeste e Sul foram os que mais sentiram a perda - 65% nos dois casos. Em seguida, aparecem as regiões Norte e Centro-Oeste (56%), e Nordeste (51%). E 83% se preocupam com a possibilidade de perder o padrão de vida que têm hoje.

Dos entrevistados, 37% disseram que se endividaram para pagar despesas pessoais e 48% consideram difícil ou muito difícil pagar seus empréstimos e financiamentos com sua renda atual. Mais da metade (53%) se endividou sem planejamento. Do total, 60% disseram ter passado por dificuldade para pagar as contas ou compras a crédito. A dificuldade para pagar aluguel ou prestação da casa própria, por exemplo, passou de 19%, em 2012, para 29%, em 2015. Um em cada cinco venderam bens para pagar dívidas.

INFLAÇÃO E CONSUMO - As mulheres alteraram mais seus hábitos de consumo do que os homens. Enquanto 61% delas disseram ter mudado a rotina, 53% deles fizeram o mesmo. Elas estão poupando mais do que eles. Com medo das dificuldades futuras, 78% das mulheres garantiram que estão economizando mais, contra 72% dos homens.

O estudo aponta, ainda, que 90% das pessoas passaram a pesquisar mais os preços antes das compras, 77% mudaram os locais de consumo, 72% trocaram produtos por similares mais baratos, 63% adiaram a compra de produtos de bens de maior valor e 74% reduziram as despesas da casa porque o dinheiro estava mais curto.

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