• Novembro de 2017
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Em Minas, agropecuária cresce, mas indústria e serviços despencam

A crise econômica que se aprofunda no país está repercutindo em praticamente todos os setores da economia. No segundo trimestre do ano, a atividade econômica em Minas encolheu 1,5% frente ao trimestre anterior. Essa é a quinta queda trimestral consecutiva do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, medido pela Fundação João Pinheiro (FJP).

A recessão está atingindo com gravidade mais acentuada a indústria, e já chegou também aos serviços. A única boa notícia vem da agropecuária, que, no trimestre, manteve resultado positivo, alta de 3,4%, alavancado pelo café, produto que há quase dois séculos mantém sua relevância na economia do estado.

No semestre, a retração econômica se agrava. Apesar de o resultado trimestral do estado (-1,5%) ter sido melhor que o do país (-1,9%), quando observado de janeiro a junho, o quadro se inverte. A atividade econômica mineira caiu 4,1% frente ao primeiro semestre de 2014. No país, o PIB encolheu em percentual menor, 2,1%, no mesmo período. No ano, terminado em junho, a economia mineira amarga retração de 3,3%, e a do país, 1,2%. “Temos, em curso, uma recessão grave e intensa”, observa Raimundo de Sousa, coordenador do sistema de contas regionais da Fundação João Pinheiro.

O pior quadro é desenhado pela indústria. Afetada por redução de crédito, alta da taxa de juros, desemprego que reduz o consumo e ainda a conjuntura internacional, a indústria mineira encolheu 7,9% no semestre. Em 12 meses, a queda é de 6,7%, contra uma retração de 2,9% da indústria nacional, frente a igual período no ano anterior.

O baixo nível dos reservatórios também contribuiu para os resultados ruins do setor produtivo. “A matriz geradora de energia migrou da fonte hidrelétrica para a térmica, em que Minas tem menor participação”, acrescenta Sousa. O subsetor de energia e saneamento apresentou os piores resultados da indústria, com retração de 4,4% no segundo trimestre frente ao período anterior e queda de 9,8% acumulada no ano.

No segundo trimestre de 2015, em relação ao período anterior, a construção civil encolheu 5,1%, completando 10 trimestres em queda. A indústria de transformação retraiu 4,5% e acumula oito trimestres com resultados negativos. Energia e saneamento (-4,4%) está há cinco trimestres em queda. A boa notícia veio da indústria extrativa mineral, que, na direção inversa, vindo de um resultado positivo no trimestre anterior, cresceu no período 3,2%, segundo o coordenador da pesquisa de contas trimestrais do estado, Glauber Silveira. O setor foi beneficiado pela alta do câmbio, que favorece as exportações.

Sem surpresa Apesar do agravamento da crise, Lincoln Fernandes, presidente do Comitê de Política Econômica da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), diz que o resultado não surpreende. “Pelo indicador da Fiemg, a indústria já acumula, em 2015, queda de 14% no seu faturamento, o que é um reflexo da produção.” Ele cita o desempenho ruim do setor automotivo, metalurgia, siderurgia, gusa e fundição. O setor de alimentos é outro destacado pelo executivo que sofreu os efeitos da crise no primeiro semestre, já que pela primeira vez na série histórica acompanha retração de dois trimestres seguidos.

No segundo semestre, a expectativa para a indústria não é otimista. “Até o fim do ano, é possível que o setor de alimentos apresente recuperação”, diz Lincoln. Os demais devem continuar a enfrentar cenário adverso, com exceção da extrativa mineral. “Grandes empresas do setor estão buscando novos mercados, no Japão, Estados Unidos e Europa, com bons resultados.” Na avaliação do executivo a alta do câmbio chegou em momento inoportuno. “Na economia mundial, o cenário não é do comprador.”

Na agropecuária o café representa um terço do valor de produção da pauta e a boa safra puxou positivamente os resultados do setor. Cana-de-açúcar, milho, soja, batata e tomate também somaram para manter o setor em crescimento. “A expectativa é que o setor feche o segundo semestre com resultado positivo, mas as maiores contribuições da agricultura acontecem no primeiro semestre”, reforça, Pierre Vilela, superintendente do Instituto Antônio Ernesto de Sálvio. Segundo ele, o câmbio é uma moeda de dois lados para o setor. A curto prazo, favorece as exportações, mas, para a próxima safra, encarece os insumos, como adubos e defensivos.

Natal magro Em sua quinta queda consecutiva o setor de serviços fechou o segundo trimestre com retração de 1,3%, frente ao trimestre anterior. No semestre a queda é de 2,4% e nos últimos 12 meses, a retração de 1,5% é maior que a queda do país que no mesmo período alcança -0,5%. Caio Gonçalves, pesquisador do setor da FJP, diz que a recuperação depende de indicadores macroeconômicos como queda da inflação, dos juros e crescimento da confiança. “Pode ser que o Natal seja magro.”

Para Raimundo Sousa, a crise ainda não bateu no fundo do poço, o que pode ser prenúncio de um terceiro trimestre ainda ruim. “O quadro do ajuste fiscal, com alta da taxa de juros para conter a inflação é um dos fatores que vem afetando a confiança do empresário e do consumidor.”

Tombo maior no país

Ainda sob o efeito da divulgação da queda de 1,9% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre, o que mergulhou o país em recessão técnica, o mercado financeiro mantém o pessimismo com a economia brasileira neste ano e elevou a retração do PIB deste ano de 2,26% para 2,44%, segundo previsão de analistas do mercado financeiro no Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central. Um mês antes estava em queda de 1,97%. Para 2016, a mediana das previsões passou de -0,40% para -0,50% ante estabilidade de quatro semanas atrás.

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. O BC, apesar de também ter revisado para pior sua projeção para este ano, de queda de 0,6% para retração de 1,1%, segue mais otimista que o mercado. No Relatório Trimestral de Inflação de junho, a instituição informou que a mudança ocorreu em função de piora nas perspectivas para a indústria, cuja expectativa de PIB recuou de -2,3% para -3,0%. Uma nova edição do documento será apresentada no fim deste mês.

No boletim Focus divulgado ontem, a projeção para a produção industrial também mostrou piora significativa: saiu de uma baixa de 5,57% para um recuo de 6,00%. Já para 2016, a mediana das estimativas foi reduzida de uma alta de 0,89% para 0,72%. Há quatro semanas, as medianas destas previsões eram de, respectivamente, -5,21% e 1,15%.

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