• Outubro de 2017
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Comunidades pacificadas terão crédito para abertura de franquias no Rio

A Agência Estadual de Fomento (AgeRio) e a Associação Brasileira de Franchising do Rio de Janeiro (ABF Rio) firmaram hoje (1º) convênio que permitirá a inclusão socioeconômica de moradores de comunidades pacificadas por meio da concessão de crédito para a abertura de franquias nessas áreas. O processo terá início nas comunidades da Rocinha, na zona sul da cidade, e da Maré e do Alemão, na zona norte, mas o objetivo é incluir todas as regiões onde estão instaladas as 42 unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que somam mais de 100 favelas.

Serão emitidas cartas de crédito de até R$ 15 mil para o financiamento de novas microfranquias ou expansão das já existentes administradas por empreendedores locais. Inicialmente, serão disponibilizados R$ 1,5 milhão. Segundo o presidente da ABF Rio, Beto Filho, 22 microempresas já aderiram ao projeto. “As marcas de microfranquias que estamos levando dão boa margem de lucro e poderão ser financiadas com juros de 3% ao ano para pessoas que moram em comunidades”, disse ele.

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse que pretende ampliar os recursos e capacitar os empreendedores para ter, cada vez mais, riqueza circulando nas comunidades. Segundo ele, o governo investiu R$ 38 milhões nas UPPs das comunidades, onde 9 mil empreendedores geram emprego e renda. “Tem bares, restaurantes, hostel [albergue], pousadas, salões de beleza, entregadores de correspondência, firmas de mototáxi. É uma diversidade, uma criatividade estupenda. E ninguém tem no Brasil o instrumento que disponibilizamos, por meio da AgeRio, que são 3% de juros ao ano, 0,25% ao mês. Ninguém trabalha com uma taxa dessas", afirmou Pezão.

De acordo com pesquisa do Instituto Data Favela, cerca de 12 milhões de pessoas moram em comunidades no Brasil, o que representa potencial de consumo de R$ 64 bilhões.

A AgeRio entrará com recursos para financiamento e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado do Rio de Janeiro (Sebrae-RJ) participará com treinamento, educação e empreendedorismo para habilitar os moradores das comunidades. O franqueador das marcas capacitará os novos empreendedores para fazer a gestão e governança dos negócios. A Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e o Instituto Pereira Passos ajudarão na divulgação do projeto para a população-alvo. Palestras serão organizadas nas comunidades pela ABF Rio para mostrar como funciona o sistema de franchising. “As pessoas que se interessarem vão conversar com as marcas e, a partir daí, a AgeRio atenderá para dar o financiamento”, informou Beto Filho.

O presidente da Associação de Moradores do Parque União, na Maré, Edinaldo Batista dos Santos, torce “para dar certo”. Santos disse que, só na área do Parque União, existem cerca de 550 pequenos negócios.

O fundador da Central Única das Favelas (Cufa), Celso Athayde, destacou a importância de informar as pessoas sobre o funcionamento do projeto, para que tenham acesso ao crédito “e honrem esse crédito, para não acabar criando um problema depois”. Athayde lamentou, porém, que, com um total de 1.226 favelas no Rio de Janeiro, o projeto seja direcionado apenas às comunidades com UPPs. “A política de Estado não pode ser apenas para UPPs”. O ideal é que as possibilidades sejam levadas para todos, afirmou.

As franquias que aderiram ao projeto são de vários setores, entre os quais tecnologia da informação (TI) e higiene e limpeza. Beto Filho destacou é uma oportunidade de negócio para os moradores das comunidades, que podem montar franquias onde vivem “e atender no asfalto”, tornando-se logo empregadores e gerando trabalho e renda.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Franchising, no primeiro semestre deste ano, o faturamento do setor cresceu 11,2%, em comparação com o mesmo período de 2014, alcançando R$ 63,885 bilhões. Beto Filho disse que a perspectiva é que o faturamento aumente este ano dois dígitos, “porque o segundo semestre é sempre melhor que o primeiro”. São Paulo lidera o ranking, com 38,2%, seguido pelo Rio de Janeiro e por Minas Gerais. No primeiro semestre, o estado do Rio respondeu por 11,7% na expansão do setor.