• Outubro de 2017
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Venda de veículos leves terá pequena retomada em 2016

A queda estimada em 26,6% das vendas de veículos no Brasil em 2015 com relação ao ano passado, para algo perto de 2,44 milhões de unidades, deverá encerrar o ciclo de contração do mercado nacional iniciado em 2014, aponta Vitor Klizas, presidente da Jato Dynamics do Brasil, durante o painel Negócios e Forecast na Indústria Automobilística, no Workshop Planejamento 2016, promovido por Automotive Business na segunda-feira, 17, no WTC, em São Paulo.

O mercado doméstico deve beirar a estabilidade, com leve crescimento de 0,9% em 2016 sobre 2015. A recuperação é pequena, mas ainda uma vantagem, uma vez que deve dar base de sustentação para a produção, que neste ano deve cair 22,1%, para 2,33 milhões de unidades: em 2016, deve retomar com 2,37 milhões, aumento de 1,7%, segundo Klizas.

“O Brasil começa em flat, com tentativas de produção maior já em 2016, em parte pela busca de novos parceiros de exportação, que excelentemente Anfavea e governo têm conduzido ao longo deste ano”, afirma Klizas. Ele aponta que esta será uma vantagem competitiva para o Brasil sobre a Argentina, uma vez que a produção do país vizinho ainda deve recuar até 2017.

As previsões apontam ainda movimentos de migração de segmentos por parte dos consumidores. Os números mostram o quão é perceptível o crescimento substancial dos volumes de vendas do segmento de SUV (que neste ano ganharam reforços importantes, como Honda HR-V e Jeep Renegade), em detrimento do baixo emplacamento de compactos leves observado desde 2014.

“Ainda há o fator daqueles consumidores que não migram, mas encontram critério mais apurado para obtenção de crédito, que apresenta apatia maior no segmento de compactos leves”, lembra.

Embora haja dificuldade em um segmento ao mesmo tempo em que há ascensão no outro, a categoria de leves ainda domina a mesa de planejamento das montadoras. Em seu levantamento, Klizas aponta que o valor que cada modelo agrega ao faturamento da marca é estritamente relevante para definir os rumos de sua estratégia do mercado. “Caso do Toyota Corolla, que mesmo na décima posição no ranking geral de vendas é o que mais dá retorno em valor para sua montadora, e da picape Strada, que mantém a liderança de vendas tanto no segmento de comerciais leves quanto no ranking de retorno em valores para a Fiat”.

Entretanto, ele observa que entre os 10 modelos leves mais vendidos (incluindo comerciais leves), os veículos de marcas que não são das “quatro grandes” – Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford – aumentam cada vez mais sua participação no ranking geral de valor: “Até julho deste ano, enquanto as ‘Big4’ representaram 60% das vendas, seus modelos mais rentáveis representaram 50% do ranking. Esse é um movimento que nunca tinha acontecido, representando que o mercado não está concentrado, está difuso”.

Klizas concorda com a previsão da Anfavea, que espera algum movimento de retomada no fim do ano e certa estabilidade em 2016: “Não acredito que o mercado vá andar de lado neste segundo semestre. É claro que o cenário não depende só da indústria: ela é competente e se fosse só pela indústria, já estaríamos crescendo. Encerrar o ano com vendas de 2,44 milhões de veículos é um ótimo mercado.Acredito que não haverá tantas baixas em mão de obra, estamos passando por um momento de adaptação deste novo volume, considerando que anos recentes ultrapassamos a casa dos 3 milhões. Estamos próximos de encontrar esse ponto de equilíbrio”, conclui.