• Novembro de 2017
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Estilistas baianos tentam equilibrar conceito e vendas

A presidente do Sindicato da Indústria de Vestuário de Salvador (Sindvest), Maria Eunice Habibe, acredita que a Bahia tem um forte potencial fashion com viés cultural, mas ainda assim os profissionais locais não conseguem deslanchar.
"Como nós temos pequenas empresas de moda é muito difícil conseguir sustentabilidade, mas ao mesmo tempo empregamos muito. Com a crise a situação fica exponencial".

O sindicato é um dos responsáveis por encabeçar o Bahia Moda Design (BMD), evento que chega à sua quinta edição entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro. "Reformatamos o BMD em função desse difícil momento econômico, mas também para dar dinamismo. Queremos mais participação do público".

Toque autoral

A estilista e pesquisadora Carol Barreto aponta para o perigo de acreditar que a situação de crise na cena baiana é uma grande novidade.

"No design de moda local, já vivemos um forte emagrecimento das nossas possibilidades. Essa situação fez com que nomes se aquietassem e procurassem outros rumos".

Ela afirma a necessidade de os estilistas locais reconhecerem o valor da sua própria identidade e reverterem isso em design de qualidade.

"Esse é o momento dos criadores nordestinos investirem no slow fashion: aquilo que você vai colocar dinheiro, mas não vai acabar amanhã. É necessário se enxergar para saber o alcance do produto".

Natural de Feira de Santana, o estilista Aládio Marques desfila em eventos como Dragão Fashion Brasil e conta que decidiu investir energia na sua marca comercial: a AL. Aládio Marques, que oferece camisas com estética diferenciada.

"A confecção dessas peças fica mais barata porque não são tão elaboradas quanto as da marca conceitual. Assim, consigo colocá-las em mais pontos de venda. É preciso fazer peças interessantes, mas com apelo estético para que exista desejo em comprar".

O designer de moda Jeferson Ribeiro diz que é bom fazer parte desse momento de dificuldades pelos desafios.

"Você precisa continuar significando com a marca mesmo numa cena de crise econômica. Depois das grandes guerras, o setor de produtos cresceu bastante no mundo. Acho que isso vai dar uma consciência muito maior para o consumo".
Ele acredita que a crise faz com que os designers tenham cautela, mas não deixem de ter em vista a inovação.

"Só não posso pensar num produto lindo que não é competitivo comercialmente. Isso tem sido cada mais dosado: a intuição e a estratégia. Tento observar o que o público está querendo consumir sem perder o DNA da marca".

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