• Setembro de 2018
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Setor varejista celebra centenário de Mamede Paes Mendonça

"Início de mês, pagamento de salário, dia de Paes Mendonça". Para quem é da geração 2000 talvez fique difícil fazer a associação, mas por, pelo menos, 30 anos a expressão foi metonímia na Bahia: ir ao Paes Mendonça era o mesmo que ir fazer compras no mercado. A marca da primeira e maior rede supermercadista da Bahia trazia o sobrenome do empresário Mamede Paes Mendonça, que nesta quarta-feira, 5, completaria 100 anos.

O centenário de "Seu Mamede", como era conhecido, está sendo comemorada pelo setor não só na Bahia, mas em todo o país: honrarias, missa e o lançamento de uma biografia integram a programação. Não é para menos: as lições de negócios de quem, mesmo sem ter concluído o primário, tornou-se, à época, dono da segunda rede em faturamento do país (ficando atrás apenas do Grupo Pão de Açúcar) são hoje referência, sobretudo, neste ano em que é preciso mesmo ter talento extra para driblar a crise.

"Mamede Paes Mendonça foi um dos pioneiros do setor supermercadista brasileiro", afirma o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Fernando Yamada. "Líder nato, a história dele é um grande orgulho para o nosso setor e um brilhante exemplo para todo o empresariado", completou.

A Abras divulga nesta quarta, entre os associados, homenagem pelo centenário do empresário. O edifício-sede da entidade, em São Paulo, também é batizado com o nome de Mamede Paes Mendonça, assim como, em Salvador, presta a mesma homenagem a sede da Associação Bahiana de Supermercados (Abase), no bairro de Jardim Armação.

A diretoria da entidade baiana, fundada por ele, prestigia a programação especial na capital baiana, com missa na Igreja Nossa Senhora das Vitórias, na Pupileira, em Nazaré, nesta quarta. Depois, haverá lançamento de biografia, em evento organizado pela família.

Placa

Nesta quinta-feira, 6, na Casa do Comércio, os empresários fazem uma homenagem ao centenário do comerciante, em almoço promovido pela Federação do Comércio do Estado da Bahia (Fecomércio-BA). "Um empresário à frente do seu tempo, um ícone do varejo brasileiro", define o atual presidente da Abase, João Claudio Nunes, que lamenta não ter convivido com o homenageado.

O livro que conta a vida do empresário sergipano e sua história na Bahia tem a coordenação editorial assinada pelo administrador Raymundo Dantas, que atuou durante 15 anos como gerente geral da rede, que chegou a ter cerca de 150 lojas.

Modelo de atendimento

A firma Paes Mendonça foi fundada em 1951, mas os supermercados da rede só deslancharam a partir de 1959, após uma viagem de Mamede Paes Mendonça à Argentina e Uruguai. Quando foi comprar alpiste, viu um tipo de mercearia que não tinha balcão. Visionário, implantou o modelo de autoatendimento em uma época marcada pelos serviços prestados com despachante por armazéns, vendas e feiras livres.

Assim, o tradicional "Me despache", usado para chamar a atenção do vendedor, foi dando lugar ao atendimento self service, direto nas prateleiras.

A primeira loja da rede foi aberta no "Jogo do Carneiro", no bairro da Saúde. Era um mercadinho que havia sido fundado nos anos 50. "Seu Mamede" comprou e inaugurou o novo sistema.

O talento nato de Mamede Paes Mendonça era inegável: aos sete anos, começou a trabalhar, em Sergipe, como feirante, vendendo farinha. Aos 21 anos, em 1936, já era dono de uma padaria, em sociedade com o irmão mais velho, Euclides, que acabou sendo, depois, brutalmente assassinato em praça pública, em Itabaiana, depois de ter se envolvido na política.

Com a morte do irmão, "Seu Mamede" decidiu morar em Aracaju, onde abriu um atacado de alimentos. Visionário, resolveu deixar o negócio para abrir uma loja de atacado na Bahia. A primeira loja foi fundada no Comércio. Anos depois, fundava a Casa Sergipana, um armazém de secos e molhados instalado na Baixa dos Sapateiros. Eram os negócios que tinha na Bahia até a viagem que iria mudar a sua vida, no Uruguai.

"Naquela época, ainda era difícil imaginar que o menino simples, nascido em 5 de agosto de 1915, na Serra do Machado, em Ribeirópolis, viria se tornar um dos maiores empresários brasileiros, mesmo não tendo concluído sequer o curso primário", frisa o jornalista Benneh Amorin, que atuou como estoquista e assessor de imprensa do empresário.

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