• Novembro de 2017
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Emprego na indústria deve continuar a cair

A situação macroeconômica do país, com um quadro de taxas de juros e inflação em alta, restrição ao crédito, desemprego e redução da renda, indicam que o emprego industrial deverá seguir em queda pelos próximos meses. A avaliação é do economista Rodrigo Lobo, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ao comentar os números da Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário na Indústria, divulgados na sexta-feira.

Os dados do setor em maio foram predominantemente negativos, com a taxa de ocupação fechando em queda de 1% em relação a abril e de 5% no acumulado dos primeiros cinco meses do ano. Embora o IBGE não faça projeções, Lobo disse que, tomando por base a evolução da média móvel trimestral — predominantemente negativa desde o final do primeiro semestre de 2013 —, o quadro não deverá mudar para os próximos meses.

“Os estoques da indústria permanecem em patamares elevados fazendo com que haja, por parte dos empresários, menores incentivos à produção, uma vez que não há demanda para os seus produtos”, disse.

E o final dessa cadeia, acrescentou, é justamente a queda no emprego industrial, em declínio há 44 meses, com o número de horas pagas recuando há 24 meses e a folha de pagamento também em queda há 12 meses.

O principal impacto negativo vem do setor de meios de transporte (veículos automotores e outros equipamentos, como aviões e motocicletas), desde 2013. O setor perdeu 11% dos empregados, em relação a maio do ano passado — maior retração desde maio de 2002, quando o recuo anual chegou a 12,9%.

Os números indicam que a mesma leitura pode ser feita na comparação anual sobre horas pagas e folha de pagamento real. O número de horas pagas recuou 12,5% — taxa mais alta desde setembro de 2009, que foi 13,7% — e o recuo na folha de pagamento atingiu 15,1% — maior queda da série histórica iniciada em março de 2002.

A queda de 1% na ocupação industrial, em maio, na avaliação do IBGE é o prolongamento de um processo de depreciação, iniciado em 2008, por causa da crise financeira internacional. Em meados daquele ano, o setor atingiu o pico da série histórica. O mesmo ocorreu com as horas pagas e a massa salarial. Desde então, com períodos pequenos de reversão, o quadro vem se deteriorando, e do final de 2013 em diante o nível de emprego se consolidou em trajetória de queda.

Lobo lembra que, até o surgimento da crise internacional, o país tinha uma indústria com produção em crescimento, de forma sequencial e bastante forte, até que foi impactado, e a consequência foi a queda produtiva.

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