• Novembro de 2017
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Aumentar os juros soluciona combate à inflação?

Não há consenso entre os economistas sobre o patamar que os juros devem chegar para derrubar a inflação. “A economia não é uma ciência exata, mas sim uma ciência humana. Partindo dessa constatação, é impossível afirmar com 100% de certeza qual o nível ideal da taxa de juros para combater a inflação alta, logo, é um processo em que se eleva a taxa de juros e espera algum tempo para analisar os efeitos na economia e na inflação, visto que os resultados não são imediatos”, avalia o economista Alex Agostini.

Ele adianta que há defasagem entre elevar (ou reduzir) a taxa de juros e seu efeito total na economia. Em geral, esse efeito defasado, em países emergentes como o Brasil, varia de seis a nove meses. Já em países desenvolvidos ocorre entre 18 a 24 meses.

Para o economista Sérgio Melo não há um valor exato. “As medidas tomadas pelo Banco Central e Ministério da Fazenda vão surtindo efeito e, a partir desses resultados, novas medidas vão sendo tomadas. Não se esperava no início desse ciclo de alta de juros que a alta fosse tão forte como vem sendo”.

O economista Marcelo Lettieri afirma que a inflação atual não será combatida com o aumento desordenado de juros, a menos que continuem aumentando exageradamente, o que vai combater a inflação pela asfixia total da economia.

Na opinião dele, o País terá uma inflação mais baixa à medida que forem absorvidos os aumentos dos preços administrados (que ficaram represados por muito tempo) e se o câmbio colaborar, o que vai depender da conjuntura internacional.

“Com a crise instalada, a redução da renda e do crédito e o aumento do desemprego vão colaborar decisivamente pela estabilização dos preços, sem a necessidade de aumentos exagerados nas taxas de juros, como defende o Banco Central”, destaca.

O economista Jorge Nogueira reforça que a inflação no Brasil é de custos. “Na realidade a experiência com a crise mundial de 2008 tem demonstrado que taxas de juros em 0,5 ponto porcentual acima da inflação são suficientes para conter o ritmo de elevação de preços sem proporcionar cenários recessão profunda”, comenta.

Consumo

Sobre a influencia dos juros altos sobre o consumo os especialistas avaliam que é danosa. “Causa dois efeitos distintos sobre o consumo. O primeiro é o chamado efeito-substituição, que ocorre quando as pessoas reduzem o consumo e aumentam a poupança. O segundo é o chamado efeito-riqueza, situação em que os possuidores de aplicações financeiras veem seu patrimônio crescer em função das maiores rentabilidades com a taxa de juros. Em função disso, aumentam o consumo”, considera o economista Sérgio Melo.

Para ele o aumento de juros acaba reduzindo o consumo porque a maior parcela da população brasileira se encaixa na situação do efeito-substituição, ou seja, possui pouca ou nenhuma poupança.

O economista Marcelo Lettieri observa que os juros altos afetam diretamente o consumo, principalmente pelo lado do crédito. “Como vai ficar cada vez mais caro tomar empréstimos, as pessoas vão ter que adiar seus planos de consumo. Já estamos vendo esse efeito sobre o mercado de imóveis. (Artumira Dutra)

Fonte: O Povo Online

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