• Novembro de 2017
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Gaúchos estão cautelosos na hora das compras

A chegada dos ventos gelados que outrora eram prenúncio de lucro para os lojistas não deve surtir o mesmo efeito neste ano. No comércio de Porto Alegre, o início do inverno é encarado de forma cautelosa em relação ao volume de vendas de produtos ligados à época. A estação começou oficialmente neste domingo, mas nem mesmo o frio constate da semana passada serviu para aquecer as vendas no patamar esperado.

Quem passa pelos estabelecimentos do Centro da Capital pode constatar razões para o pessimismo do comércio. Em muitas lojas carregadas de casacos, mantas, gorros, botas e outros produtos típicos da estação, os vendedores permanecem em pé aguardando que algum cliente entre.

"A população não tem procurado tanto cobertores e edredons mais pesados, comparando com cinco ou seis anos atrás. O nosso mês de junho deve ter vendas melhores do que em junho de 2014, mas o desempenho do semestre tem redução em torno de 8% até agora", afirma Pedro Collar, proprietário de duas lojas Rainha das Noivas. De acordo com Collar, as vendas de inverno devem, no máximo, empatar com o desempenho do ano passado. "O cenário não é bom. A empregabilidade está diminuindo", lembra. O empresário diz que vem procurando manter o nível de emprego nas lojas, mas quando algum funcionário pede demissão nem sempre a vaga é aberta novamente.

O Sindicato dos Lojistas de Porto Alegre (Sindilojas-POA) é mais otimista e prevê um incremento de 5% a 7% nas vendas de inverno em comparação com o ano passado. "No ano passado, tivemos a Copa do Mundo em junho e houve queda nas vendas. Por isso, a base de comparação é menor. Esse ano temos uma propalada crise, que ainda não chegou no comércio. Com o frio, as vendas devem melhorar de uma maneira geral", prevê o presidente da entidade, Paulo Kruse.

A gerente da loja de roupas femininas Fama, Miriam Carvalho, opina que a movimentação está em baixa e tem na ponta da língua o motivo. "É essa tal de crise", justifica. Miriam reconhece que, na semana passada, quando as temperaturas caíram, até houve um maior volume de negócios, mas nada que trouxesse ânimo. A gerente do estabelecimento de roupas infantis Picorrucho, Diele Menezes, faz diagnóstico parecido. "Em relação a outros anos, as vendas têm sido menores. Mas vamos esperar o inverno entrar mesmo, aí nossas expectativas podem aumentar", salienta.

Se no comércio de artigos de vestuário, cama, mesa e banho as projeções o desânimo é mais presente, para os vendedores de eletroeletrônicos a situação destoa. "Só na última semana vendemos mais de 100 aquecedores", comemora Sérgio Euzébio, gerente de uma loja da CR ?Diementz. Segundo Euzébio, os clientes têm procurado também fogões a lenha e splits. Se as transações mantiverem o ritmo intenso, o gerente diz que será necessário reforçar o estoque e, com isso, os preços devem aumentar em torno de 10%. "São produtos importados. E o dólar está lá em cima", pondera.

Em meio a esse cenário, alguns consumidores vêm pensando duas vezes antes de fechar uma compra. Muitos param para olhar as vitrines, mas nem todos entram nos estabelecimentos. A professora Elisa Sartori saiu em busca de um cobertor para a filha, mas reclama da alta dos preços. "Já tinha planejado comprar um cobertor, mas os preços aumentaram consideravelmente", critica. A mesma constatação é feita pela dona de casa Elza Medeiros que está à procura de um colete de lã. "Tenho pesquisado mais os preços antes de fechar a compra. Os preços estão salgados", ressalta.

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