• Novembro de 2017
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Redes avançam em cenário de desaceleração econômica

SÃO PAULO - O setor de franquias segue em franca expansão, mesmo com a economia brasileira em um momento de desaceleração. A expectativa é fechar este ano com um crescimento entre 7,5% e 9% no faturamento na comparação com o ano passado. Em 2014, o setor faturou cerca de R$ 127 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). De acordo com a entidade, o número de marcas deve ter alta de 8% e o de unidades pode ter expansão de até 10%. "Historicamente, em situações de crise há migração de pessoas do mercado formal para a abertura de franquias", afirma o diretor de inteligência de mercado da ABF, Claudio Tieghi.

A diretora da Vecchi Ancona Inteligência Estratégica, Ana Vecchi, concorda com a análise. "Em ano de crise, o segmento costuma ter bom desempenho, porque passa a ser uma opção para quem perde o emprego", argumenta. De fato, em 2008, no auge da crise financeira internacional, o mercado de franquias apresentou expansão de quase 20% no Brasil. Para este ano, Ana estima que o setor vai manter um ritmo de crescimento superior ao do Produto Interno Bruto (PIB).

Em alguns casos, o cenário econômico fraco pode até resultar em negociações mais favoráveis para aqueles que se dispõem a apostar em um novo negócio, observa o presidente da consultoria Praxis Business, Adir Ribeiro. "Enquanto uns choram, outros vendem lenços, já dizia o publicitário Nizan Guanaes, e esse pode ser um bom momento para investir e conseguir negociar melhores condições, como no caso do aluguel do imóvel, por exemplo", aponta.

Apesar de as redes de franquias oferecerem modelos de negócio já testados e bem estabelecidos, é necessário cautela, como em qualquer investimento, recomendam os especialistas. "O País vive um momento desafiador", ressalta a diretora do Grupo Bittencourt, Claudia Bittencourt. "Mesmo assim, o setor seguirá crescendo neste ano, só que de forma mais cautelosa e criteriosa", considera.

A baixa taxa de mortalidade das franquias, na comparação com as demais empresas, é um dos atrativos do segmento. De acordo com informações da ABF, o índice de mortalidade do setor é de apenas 3,7% - porcentual bem menor do que a média contabilizada na economia como um todo, que atinge 27% das empresas no primeiro ano de atividade no Estado de São Paulo.

Para a consultora Larissa Carvalho, do Sebrae-SP, é muito comum empreendedores utilizarem recursos poupados durante anos para abrir sua empresa e buscarem um negócio que proporcione retorno rápido. "Cuidado com falsas propagandas", alerta a especialista. Ela sugere que o interessado faça mais de um processo seletivo para comparar quais redes oferecem as melhores condições e a melhor aceitação no mercado. "É importante prestar atenção às obrigações das partes e às penalidades em caso de descumprimento. Tomar estes cuidados não vai afastar totalmente os riscos do negócio, mas irá minimizá-los bastante, fazendo com que a escolha seja mais segura", orienta.

Para o consultor e especialista em franchising Marcus Rizzo, um dos motivos que levam ao fechamento de unidades é o franqueado achar que o negócio vai andar bem sozinho, sem grande necessidade de acompanhamento, controle e eventuais ajustes de rota. Apesar de o modelo de negócios ser formatado em todos os detalhes pelas redes, cabe ao franqueado fazer uma gestão eficiente dentro dessas diretrizes.

O segmento de atuação é outro ponto a ser estudado. Afinidade com a área é importante, diz Rizzo. "Pior do que ter um emprego do qual não gosta é ter um negócio de que não goste", afirma. Mas só isso não basta. "É importante olhar vários segmentos e não apenas aquele de que você gosta. Vale olhar também o crescimento dessa indústria e, só depois, ir atrás dos franqueadores", sugere Ribeiro, da Praxis. Ana, da Vecchi Ancona, recomenda ainda que os interessados evitem os modismos na hora de escolher uma franquia.

Entre os segmentos que devem ter destaque neste ano, especialistas avaliam que o setor de alimentação deve seguir em alta, especialmente com os food trucks e com o modelo de negócios dentro de outros negócios - como os quiosques de uma marca que ocupam um espaço na loja de outra rede e que, por isso, contam com um bom fluxo de clientes. Além disso, as franquias digitais (como as de aplicativos B2B), as de serviços, de beleza e de negócios que melhorem a performance de outras empresas - voltadas a capacitação e treinamento, por exemplo - também devem ter destaque neste ano.

Fonte: DCI

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