• Outubro de 2017
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Grande ABC: Vendas do comércio caem 8,2% na região

Levantamento divulgado ontem pela FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) revela que as vendas do comércio varejista no Grande ABC tiveram queda de 8,2% em fevereiro – mais recente dado disponível – na comparação com o segundo mês de 2014. A pesquisa é feita com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo.

O faturamento do setor em fevereiro foi de R$ 2,16 bilhões, R$ 195,1 milhões a menos do que no mesmo período do ano anterior, em valores corrigidos pela inflação. Na comparação com janeiro, houve encolhimento de 8,9% enquanto, no bimestre, o decréscimo foi de 8,3%.

O economista Guilherme Dietze, da FecomercioSP, afirma que a retração foi puxada pelo mau desempenho das concessionárias de veículos, cujas vendas caíram 21% em fevereiro ante o segundo mês de 2014. Apesar de o segmento de lojas de móveis e decoração ter apresentado perdas proporcionalmente maiores no período (-26,3%), os revendedores de automóveis movimentam maior volume de receitas: R$ 290 milhões, contra R$ 24,4 milhões dos estabelecimentos moveleiros. Por esse motivo, o impacto no faturamento do comércio é maior, mesmo que o percentual de redução tenha sido inferior.

Igual observação pode ser aplicada aos supermercados. Embora esse tipo de estabelecimento tenha registrado diminuição de 6,5% nas vendas, o faturamento do ramo foi de R$ 737,7 milhões em fevereiro. Portanto, a perda foi muito mais elevada do que nas outras categorias analisadas.

Na avaliação de Dietze, a retração na arrecadação dos supermercados e farmácias (-12,8%) é alarmante. “No começo de uma situação de instabilidade, as famílias deixam de gastar com veículos ou eletrodomésticos, por exemplo, para fazer as compras básicas. Mas, agora, nem os supermercados estão resistindo”, alerta.

Na média do Estado, o comércio encolheu 5,7% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado. O economista da FecomercioSP entende que o Grande ABC foi mais afetado pela crise econômica por ser mais dependente da indústria do que outras regiões. De janeiro a abril, 5.570 industriários foram demitidos nas sete cidades, conforme dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

“A crise no setor gera consequências para toda a região. As demissões fazem com que se reduzam a mão de obra e a renda da população. Com menos dinheiro em circulação, se tem menos compras”, diz. O economista cita outros fatores responsáveis pela retração do comércio, como as altas na inflação e nas taxas de juros, a restrição ao crédito pelos bancos e a queda na confiança por parte do consumidor. “As pessoas se sentem inseguras no emprego e evitam se endividar para adquirir uma geladeira ou um carro, por exemplo.”

A única alta registrada pela pesquisa foi na categoria “outras atividades”, que inclui os postos de combustíveis. “Como houve aumento nos preços dos produtos derivados de petróleo, isso pode explicar a elevação.” Mesmo com a situação ruim do Grande ABC, outras regiões tiveram quedas mais acentuadas em fevereiro, caso de Campinas e Araçatuba.