• Outubro de 2017
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Queda nas vendas de veículos fecha 250 concessionárias no Brasil

Um sinal das dificuldades do setor de veículos aparece nas concessionárias. Neste ano, centenas fecharam as portas. Foram demitidos 12 mil trabalhadores.
Não faz muito tempo, o setor de veículos esbanjava vitalidade. Vendas em alta de carros, motos, caminhões eram um indicador do fôlego da economia.

Agora, o presidente da federação das concessionárias define assim a quantas anda a força do setor: “Doente não come carne assada, toma sopa. Nós estamos tomando sopa. Não conseguimos mastigar”, diz Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.

A saúde de algumas das concessionárias ficou tão debilitada que elas morreram. De acordo com a Fenabrave, 250 fecharam este ano em todo o Brasil, como uma em Fortaleza e outra em Natal. Doze mil pessoas já foram demitidas.

Se compararmos os primeiros quatro meses deste ano com o mesmo período do ano passado, a queda das vendas de veículos foi de 19%. “A economia está ‘a zero’. Hoje, 80% da causa de queda do setor é a economia parada”, afirma Alarico.
E o setor reage em cadeia: concessionárias não vendem, os pátios das montadoras ficam cheios, e elas acabam dando férias coletivas ou demitindo. E o efeito dominó continua derrubando faturamentos.

Para que uma fábrica de carros faça uma porta, ela precisa de ferramentas. Mas ferramenta nesse setor é um pouco diferente da chave de fenda que a gente tem em casa: ferramenta de fazer porta, um bloco de ferro fundido de mais de duas toneladas. Se não tem demanda pela porta, a fábrica que vende os moldes, a tal ferramenta, também não tem para quem vender.

Uma linha de produção novinha, que custou US$ 10 milhões, nem chegou a funcionar. Está parada desde o ano passado. Dos 500 funcionários, 130 foram demitidos Para não piorar, a empresa agora tenta depender menos do mercado de automóveis.

“Fomos buscar outros segmentos, começamos nos guinar para o segmento de energia eólica e naval, e estamos buscando ainda outros negócios para sair um pouco do automotivo, porque não dá para gente ficar dependendo do mercado automotivo nesses momentos de crise que tem”, diz Elvio Sacchi, gerente de vendas da Karmann Ghia.

Fonte: G1