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Os estoques das indústrias brasileiras ficaram, pela primeira vez no ano, acima do nível esperado pelas fabricantes. Foi o que apontou a mais recente sondagem industrial apurada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Em pesquisa feita junto a empresários do setor, o indicador ficou em julho em 51,3 pontos (vai de zero a 100, sendo que menos de 50 significa estoques abaixo do planejado e mais de 50, acima do programado).
A sondagem apurou ainda que a produção voltou a crescer em julho, ao registrar 53,4 pontos, contra 51,8 pontos no mês anterior.
Com base nesses dados, o economista da CNI Marcelo Azevedo avalia que o acúmulo de estoques se deve ao fato de o volume fabricado ter crescido acima do ritmo da demanda, o que poderia ser preocupante, se isso voltar a se repetir nos próximos meses.
Azevedo acrescenta que, por enquanto, não há motivo de preocupação, já que ele atribui o movimento a um ajuste, "uma acomodação", após o início de ano com vendas fortes. "Acreditamos que (o crescimento dos estoques) é transitório", afirmou.
Por sua vez, a utilização da capacidade instalada das fábricas, apesar de ter subido em julho em relação ao mês anterior, manteve-se em patamar baixo, ao assinalar 49,1 pontos. Em junho, estava em 48,4 pontos.
O diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de São Caetano, William Pesinato, concorda que, por enquanto, os dados traduzem processo de ajustes, já que nos três primeiros meses do ano - quando os segmentos automobilístico e de eletroeletrônicos contavam com incentivos tributários - houve forte retomada. "A atividade econômica no semestre cresceu, muito embora tenha havido uma pequena desaceleração", disse.
Expectativas
De forma geral, o empresariado do setor industrial mantém perspectiva otimista para o ambiente de negócios nos próximos seis meses, segundo a sondagem da CNI.
O indicador de expectativa quanto à demanda ficou em 63,1 pontos (abaixo de 50 demonstraria pessimismo). Os empresários também assinalaram que pretendem aumentar suas compras de matérias-primas nesse período. Nesse caso, o indicador ficou em 60,7.
Ainda de acordo com o estudo, praticamente todos os segmentos da indústria mostram confiança de que o consumo vai crescer e que o fornecimento de insumos ficará em alta até o início de 2011.
Reação da exportações ainda é dúvida
Se há otimismo nos diferentes segmentos industriais em relação ao crescimento da demanda e de compras de matérias-primas, no que se refere à exportação, há diversas atividades que ainda demonstram desconfiança.
Embora o indicador geral de expectativas de toda a indústria brasileira para as exportações tenha ficado em 51,8 pontos - o que mostra confiança moderada (numa escala que vai de zero a 100) -, empresas de setores como o de vestuário, artefatos de borracha, materiais elétricos e de móveis ainda registram indicador abaixo de 50.
Para o economista da CNI Marcelo Azevedo, isso reflete o cenário externo ainda fraco e o câmbio (o real valorizado frente ao dólar), que atrapalha as vendas ao Exterior.
O diretor da regional do Ciesp de São Caetano, William Pesinato, acrescenta que houve tímida reação das encomendas para a Alemanha, mas outros países europeus ainda não assinalaram recuperação da demanda. "Tivemos boa melhora na América Latina, mas não foram em todos os países; a Venezuela, por exemplo, está com a economia complicada", disse.
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