• Outubro de 2017
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Ranking da ABAD mostra crescimento do Atacado e Distribuição fora dos grandes centros

De acordo com os dados do Ranking ABAD/Nielsen 2015, Ano Base 2014, os agentes de distribuição alcançaram crescimento real de 0,9% em 2014 (7,3% nominal), acima, portanto, do PIB (0,1%) e faturaram R$ 211,8 bilhões, respondendo por 51,7% do mercado mercearil nacional.

Já o grupo de empresas respondentes do Ranking, amostra que corresponde a 42% do faturamento do setor em todo o Brasil, teve na região Sudeste crescimento nominal de 7,3% sobre 2013, resultado alinhado com a média nacional, também de 7,3%. No Rio de Janeiro, o crescimento foi de 7,8%.

O presidente da ABAD, empresário José do Egito Frota Lopes Filho, destaca que, entre as 387 empresas que responderam ao questionário do Ranking por dois anos consecutivos (2014 e 2015), entre elas várias da região Sudeste, o crescimento nominal foi de 8,7%, isto é, 1,2 ponto percentual acima do crescimento médio nominal do setor (7,3%). Essa performance, na avaliação da ABAD, é o resultado de empresas mais profissionalizadas, que dedicam maior atenção ao planejamento, à gestão e às ações focadas na melhoria da produtividade.

Para José do Egito, a apresentação de resultados bem acima da média nacional reflete um mercado mais aquecido, mas também as melhorias implementadas pelas empresas do setor.

Outro aspecto, diz o presidente, é o empreendedorismo dos empresários do setor. “Os agentes de distribuição fazem um trabalho de extremo valor que combina capacitação de pessoas e modernização logística, e que, em momentos de retração econômica, tem redobrada importância para ajudar a movimentar a economia das pequenas e médias localidades, já que o principal cliente do agente de distribuição é o pequeno varejo mercearil”, destaca.

Para o presidente da ABAD, esses aspectos positivos permitem fazer uma projeção otimista para o setor em 2015, quando os agentes de distribuição acreditam poder crescer em torno de 1,5%.

Crescimento regional

Os números refletem as mudanças ocorridas nos hábitos do consumidor e acentuam a diferença no ritmo da economia entre as grandes cidades e as cidades médias do interior do país.

O estudo do Ranking mostra que o consumo nas capitais, em especial no Sudeste, cresce em ritmo bem menor do que aquele observado no interior e nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Essas regiões são formadas principalmente por cidades de médio porte e concentram as redes médias de atacadistas e distribuidores, de alcance regional. Acompanhando a tendência, as redes regionais de supermercados também crescem no Nordeste e no Centro-Oeste duas vezes mais do que as grandes redes nacionais e multinacionais.

Esse fenômeno explica a manutenção e até mesmo crescimento das expectativas de melhoria em faturamento detectado pela pesquisa do Ranking em todos os modelos de negócios dos agentes de distribuição, acentuadamente nas empresas sediadas nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Comportamento do consumidor

Neste momento de crise econômica, inflação alta e crédito escasso, além de desemprego no horizonte, o consumidor está ainda mais cauteloso. Está fazendo compras do mês no autosserviço, buscando fugir da inflação, e compras de reposição nas lojas de vizinhança, conforme mostram os números. Essa tendência se reflete no crescimento do chamado atacarejo, mas também do atacadista ou distribuidor que abastece o pequeno varejo.

Nos grandes centros urbanos, o ano de 2014 registrou um movimento do consumidor no sentido de voltar a fazer compras para o mês, em parte para garantir o preço, diante da inflação crescente, em parte para aproveitar descontos decorrentes da aquisição de maiores volumes.

Dessa forma, houve um maior movimento nos atacados de autosserviço (atacarejos), que complementam as compras dos hipermercados na preferência do consumidor pelos preços atrativos, e também uma maior frequência nas visitas aos supermercados médios (5 a 19 checkouts), que possuem maior variedade e preço mais competitivo frente ao varejo de vizinhança. A participação dos atacarejos nos gastos do consumidor cresceu 29%, enquanto a dos mercados cresceu 17%.

Por outro lado, o consumidor urbano não deixou de complementar sua cesta nos pequenos mercados e mercearias, que ganham dos grandes em proximidade, comodidade e atendimento. O aumento nas vendas desse pequeno varejo alimentar foi de 7,5%, em média, e cresceu também o número de itens por compra. A parcela do orçamento gasta nesses canais aumentou 10,5%, em média, refletindo a força da compra de reposição.

Esse comportamento explica porque as empresas distribuidoras, que trabalham em estreita parceria com a indústria e fazem um trabalho mais qualificado no abastecimento do pequeno varejo, aumentaram sua participação no setor analisado pelo Ranking da ABAD, passando a responder por 45% do faturamento do setor em 2014. Em 2013, sua participação era de 43,6%.

“Esse crescimento é relevante porque não está calcado em preço mais atrativo, mas reflete os bons resultados obtidos através de uma parceria afinada com a indústria fornecedora, o agente de distribuição e o cliente varejista”, afirma o presidente da ABAD, José do Egito Frota Lopes Filho.

Números da pesquisa

A amostra pesquisada pelo Ranking corresponde a 42% do faturamento do setor em todo o Brasil e é um indicador do consumo realizado no pequeno varejo mercearil independente (não pertencente às grandes redes) e nos pequenos e médios supermercados (de 5 a 19 checkouts), abastecidos pelo setor atacadista e distribuidor.

Dos 527 respondentes da pesquisa do Ranking deste ano, 81 são empresas da região Sudeste (15% do total).

Respondentes por estado

Da amostra de empresas participantes do Ranking, em faturamento, o Sudeste corresponde a 44% do setor, seguido pelo Nordeste (28%), pelo Sul (13%), pelo Centro-Oeste (8%) e pelo Norte do país (7%). Os números confirmam a importância da região Sudeste, que concentra a maior parte do PIB nacional, mas também demonstram a crescente participação da região Nordeste no mercado mercearil.

Canal indireto

O segmento atacadista e distribuidor compõe o chamado Canal Indireto da indústria, isto é, o canal por onde são comercializados os produtos que abastecem os estabelecimentos que não têm volume para comprar diretamente da indústria fornecedora.

Esse varejo é representado, principalmente, pelos pequenos e médios supermercados e por lojas tradicionais como empórios e mercearias, presentes nos bairros das cidades médias e grandes, atendendo todas as classes socioeconômicas, mas também nas pequenas localidades do interior, onde atende principalmente as classes CDE.

O Canal Indireto atende 95% do varejo alimentar independente e dos pequenos mercados (até 4 checkouts). Também atende 40% dos mercados médios (5 a 19 checkouts), 85% dos bares e 45% do mercado de farma-cosméticos.

Os números fornecidos pelos respondentes do Ranking mostram que o varejo independente e os supermercados pequenos e médios são os clientes mais importantes em praticamente todos os modelos de negócio do setor, respondendo por 58,5% do faturamento dos Distribuidores, 44% dos Atacados com Entrega e 47,2% dos Atacados de Balcão.

Mesmo no modelo Autosserviço, onde o consumidor final e transforma-dores (dogueiros, produtores de sagados, food-trucks) respondem pela maior fatia (41%), os supermercados pequenos e médios e o varejo independente tradicional correspondem a um percentual significativo: 30,4%. Ainda no Autosserviço, a presença bares, lanchonetes, padarias e restaurantes também e relevante, respondendo por 23,1% do faturamento.

O ranking

O Ranking ABAD/Nielsen é realizado anualmente desde 1994, com o objetivo de fornecer uma radiografia do segmento atacadista distribuidor, a partir de respostas elaboradas pelas próprias empresas. Ele é resultado de uma parceria da entidade com a consultoria Nielsen e a FIA (Fundação Instituto de Administração). Os dados obtidos permitem visualizar a evolução do segmento e dos negócios realizados pelas empresas no período, bem como suas relações com a economia como um todo.

A ABAD

Os agentes de distribuição são responsáveis por abastecer mais de um milhão de pontos de venda nas cinco regiões do Brasil, com participação de 52% no mercado mercearil brasileiro. A ABAD - Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados, criada em 1981, representa nacionalmente o segmento e reúne mais de três mil empresas de todo o Brasil que comercializam produtos alimentícios industrializados, candies, bebidas, produtos de higiene pessoal e de limpeza doméstica, produtos farmacêuticos e de perfumaria, papelaria e material de construção, entre outros, e movimentam cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.