|
Depois de registrar ligeiras quedas nos meses de maio e junho, a indústria deve permanecer com ritmo de produção estável em julho. A recuperação, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), só ocorrerá no mês de agosto.
Apesar do recuo, a entidade avaliou que os resultados não preocupam e refletem um cenário de acontecimentos temporários. Como exemplo, citou a isenção de tributos a alguns setores da economia.
Embora o benefício tenha sido retirado em abril, os efeitos foram sentidos nos meses seguintes, já que houve uma antecipação das compras.
"Aquilo que foi antecipado não é realizado. Enxergamos um período de ressaca", explicou Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.
Além disso, o diretor observou que a Copa do Mundo na África do Sul também afetou a produção, na medida em que os trabalhadores das fábricas foram liberados do expediente para acompanhar aos jogos do Brasil.
"A seleção brasileira teve três jogos durante a semana. O comportamento variou de uma empresa para outra, mas, na maioria dos casos, houve dispensa. Então, de alguma maneira, ocorreu interferência. As horas trabalhadas, por exemplo, teriam dado um desempenho positivo ou próximo a zero, não fosse a Copa", justificou Francini.
Com os dados revisados, o Índice de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista de transformação recuou, na série com ajuste sazonal, 0,2% em maio, na comparação com abril.
No mês de junho, houve contração de 0,6%. Sem ajuste, o indicador caiu 0,3% no mês passado. Apesar disso, no ano, o INA acumula alta de 14,3%. Trata-se do melhor resultado entre janeiro e junho desde 2003. "Portanto, não vejo motivos para preocupação. Foram dois fenômenos que não são ruins, mas provocaram esse desempenho dos índices", disse Francini.
Segundo ele, julho ainda deve sofrer a influência da corrida da população pelos benefícios tributários. "A partir de agosto, vamos perceber uma tendência de recuperação da indústria e não vejo sinais de reversão", assinalou o diretor.
O otimismo, argumentou, está fundamentado nas perspectivas positivas ao emprego e renda, aliado a um sistema de crédito, que segue em expansão. Em junho, os destaques negativos ficaram por conta dos setores de produtos químicos e artigos de borracha e plástico, que, com ajuste sazonal, tiveram uma queda de 1,9% e 1%, respectivamente.
|
|